EFE/MIGUEL GUTI?RREZ
EFE/MIGUEL GUTI?RREZ

Sob pressão, greve geral fracassa na Venezuela

Ameaçadas de expropriação, empresas denunciam intimidação de militares

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 17h59

CARACAS - Vista com ceticismo mesmo por partidários da oposição e com a ameaça de estatização de empresas que interrompessem a sua produção, a greve geral convocada pela oposição venezuelana contra o presidente Nicolás Maduro teve adesão baixa nesta sexta-feira, 28. As empresas permaneceram abertas e acusaram o governo de intimidá-las com a presença de militares às suas portas. 

A Fedecamaras, maior sindicato patronal da Venezuela informou que após as ameaças do governo a maioria das empresas optou por permanecer aberta e delegou aos funcionários a escolha de participar ou não da greve. “O governo colocou militares na porta de várias empresas”, disse o vice-presidente da entidade, Carlos Larrazabal. “Isso não deveria acontecer num país democrática.”

Na noite anterior, o deputado Diosdado Cabello - homem-forte do chavismo - prometeu estatizar empresas privadas que apoiassem a greve. Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) foram enviados à sede das Empresas Polar, maior conglomerado privado do país, como meio de pressão, segundo a companhia. 

“Os trabalhadores e os donos da empresa foram alvo de intimidação dos serviços de segurança”, disse a Polar em nota. “Lamentavelmente em vez de nos enviar matéria-prima para produzir, mandam policiais para nos amedrontar sem razão, porque estamos aqui para produzir pelo país.”

Setores públicos, leais ao chavismo, não aderiram à paralisação e serviços de transporte funcionaram normalmente. O governo comemorou o fracasso da paralisação. “Aos líderes da extrema direita: vocês fracassaram”, disse o governador de Aragua, Tareck el-Aissami. “Ninguém apoiará o golpe.”

Partes de Maracaibo, a segunda maior cidade do país, aderiram em massa à grave. “Apoiamos a oposição. Minha empresa obedeceu à greve”, disse Leydy Navas, que trabalha numa construtora. 

Nas ruas, mesmo partidários da oposição eram céticos quanto à eficácia da greve. “A greve é um bom método de pressão, mas se eu não trabalho eu não como”, disse o agente de seguros Adolfo Díaz, de 39 anos, em San Cristobal, reduto da oposição no oeste do país. 

A oposição, no entanto, celebrou paralisação e publicou em redes sociais imagens de ruas vazias, como prova de que a greve teria sido bem-sucedida. A paralisação faz parte da estratégia da Mesa de Unidade Democrática (MUD) após o governo suspender o referendo revogatório do mandato de Maduro. No dia 3, haverá uma marcha ao Palácio de Miraflores, sede do Executivo. / EFE, AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.