Sob pressão, Khadafi anuncia distribuição de ajuda à população

Governo anunciou também elevação de salário mínimo e de vencimentos de servidores públicos.

BBC Brasil, BBC

25 de fevereiro de 2011 | 09h00

Manifestante picha retrato de cadáver em Benghazi, controlado pela oposição

Sob pressão para renunciar e com rebeldes controlando algumas das principais cidades da Líbia, o líder do regime, Muamar Khadafi, anunciou nesta quinta-feira a distribuição de recursos em dinheiro para as famílias líbias e o aumento de salário para os funcionários públicos.

Segundo o governo, cada família receberá pagamentos equivalentes a cerca de US$ 400 para compensar o aumento nos preços dos alimentos.

O regime também anunciou que o salário mínimo será praticamente dobrado, enquanto entre os trabalhadores do serviço público a elevação será de até 150%.

O anúncio vem um dia depois que o líder líbio falou por telefone a uma emissora de TV e dirigiu-se às famílias líbias para tentar acalmar os protestos.

"Voltem para as suas casas, conversem com os seus filhos", disse Khadafi, durante sua participação telefônica na TV.

"Eles são jovens, eles estão armados, estão usando granadas, estão atacando delegacias de polícia. Isso é causado pelo uso excessivo de drogas."

Ele culpou a influência de Bin Laden e da rede extremista Al Qaeda, assim como "o uso excessivo de drogas" pelos protestos que pedem o fim do seu governo.

Observadores afirmam que o anúncio de Khadafi é similar às medidas tomadas na Tunísia por Zine al-Abidine Ben Ali, deposto no mês passado, apesar das tentativas de acalmar os protestos contra o seu regime.

Ben Ali prometeu benefícios semelhantes, que incluíam a criação de empregos e medidas anticorrupção.

Na quinta-feira, as forças leais ao governo lançaram ofensivas para reaver ou controlar cidades no oeste do país, já que o leste se encontra firmemente sob o controle da oposição.

Mas há temores de que milícias ligadas a Khadafi estejam se articulando para atacar os rebeldes no leste, de acordo com relatos de jornalistas no local.

Também há expectativas quanto a possíveis cenas de violência na capital, Trípoli, que está sob vigilância das forças especiais de Khadafi e permanece um bastião do regime.

Nesta sexta-feira, o programa de alimentação da ONU disse que a cadeia de suprimento de alimentos da Líbia está sendo seriamente afetada pela situação política.

Segundo a ONU, as importações estão impossibilitadas de entrar no país e, dentro da Líbia, o funcionamento da cadeia de distribuição está sendo obstruído pela violência.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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