Sob pressão, Merkel convoca reunião da coalizão

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, convocou para hoje o que está sendo chamado de "encontro da crise" de seus aliados da coalizão em uma tentativa de debelar as disputas internas que provocaram uma forte queda em sua popularidade. Devem participar Guido Westerwelle, ministro de Relações Exteriores e líder dos Democratas Livres (FDP), sua nova parceira de coalização, assim como com Horst Seehofer, da União Social Cristã (CSU), partido irmão do da chanceler, o União Democrata Cristã (CDU).

AE, Agencia Estado

17 de janeiro de 2010 | 13h43

A atual coalizão de governo, formada depois da convincente vitória de Merkel na eleição realizada em setembro de 2009, vem sofrendo nos últimos meses com as acaloradas discussões sobre a política fiscal, Afeganistão e admissão da Turquia na União Europeia (UE).

"A nova coalizão teve um início muito fraco, especialmente nas questões fiscais", disse professor de ciência política da Universidade de Bonn e biógrafo da Merkel.

Os alemães parecem concordar, com uma forte maioria de 61% dizendo que a nova coalizão teve um "mau começo", segundo uma recente pesquisa do independente instituto Forschungsgruppe Wahlen.

Política Fiscal

Analistas disseram que o principal ponto de conflito das conversas de hoje será sobre a política fiscal com o FDP, visto como um partido favorável às empresas e que exige o cumprimento da promessa do governo de profundas isenções fiscais a partir do próximo ano. De acordo com a imprensa alemã, Westerwelle disse a Merkel que está é "absolutamente a prioridade fundamental" do FDP.

Contudo, os democratas cristãos, assim como vários líderes regionais, dizem que abrir mão de impostos agora seria desastrosa considerando o estado dilapidado das finanças públicas da Alemanha. A recessão na Alemanha - a pior desde a Segunda Guerra Mundial - abriu um rombo no orçamento, com o governo federal estimando que terá um volume recorde de 85,8 bilhões de euros de nova dívida em 2010.

Afeganistão

Os novos parceiros da coalizão de governo também discordam da missão alemã no Afeganistão, à entrada da Turquia na UE e de um novo museu sobre o destino dos alemães étnicos expulsos da Europa do Leste depois de 1945.

Essas diferenças provocaram uma queda na popularidade do governo, ilustradas nas pesquisas de opinião. Uma recente pesquisa do instituto Forsa mostrou que os partidos da oposição desfrutam de mais apoio público do que a coalizão de governo pela primeira vez desde a eleição. O apoio caiu especialmente entre para o FDP, que perdeu dois pontos.

O apoio para a habitualmente popular Merkel - a mais poderosa mulher do mundo por quatro anos seguidos segundo a revista Forbes - também caiu rapidamente em meio ao fogo amigo. As informações são da Dow Jones.

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