EFE
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Sob pressão, México procura parceria na América Latina

Primeira reunião entre presidentes da Aliança do Pacífico e do Mercosul ocorre em meio a ameaças de Trump

Beatriz Bulla , O Estado de S.Paulo

22 Julho 2018 | 05h00

Presidentes do Mercosul e da Aliança do Pacífico se encontram pela primeira vez em Puerto Vallarta, no México, amanhã, para consolidar a aproximação entre os dois maiores blocos econômicos da América Latina. A reunião ocorre em meio às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de acabar com o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).

Há curiosidade sobre o novo rumo da política externa do presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, que assumirá o poder em dezembro. Mas não será nesta reunião que as dúvidas sobre sua linha de atuação entre os vizinhos serão elucidadas. 

Na sexta-feira, ele afirmou que não comparecerá ao encontro por ainda não ter sido formalizado como presidente pela Justiça eleitoral. Obrador havia sido convidado pelo atual presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, para acompanhar a reunião. Os presidentes do Brasil, Michel Temer, e do Chile, Sebastián Piñera, chegaram a pedir reuniões paralelas com o futuro líder mexicano. 

O estreitamento de laços comerciais com parceiros da América do Sul é visto como uma maneira de dar peso ao país na mesa de negociação com os americanos. Trump e Obrador conversaram por telefone após a eleição mexicana e o futuro presidente já disse que apoia um novo Nafta.

Piñera é considerado o principal articulador na construção de acordos comerciais entre Mercosul e Aliança do Pacífico, não só por ter sido recém-empossado mas também por ter dado sinais de diálogo com os parceiros do Mercosul.

“É uma visita simbólica. Não deve sair nada de concreto, porque o México está renegociando o Nafta com os EUA e o novo governo só assumirá em dezembro. Mas vai ser uma oportunidade de aprofundar as conversas sobre convergência regulatória”, afirmou o diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior. 

Para Victoria Gaytan, da plataforma americana de pesquisa sobre América Latina Global Americans e especialista em relações entre a região e os EUA, não é incompatível para o México negociar, ao mesmo tempo, novas condições para o Nafta e avanços na relação comercial com parceiros da região.

A aproximação entre Mercosul e Aliança do Pacífico não é nova: em 2014, chanceleres buscaram pontos de convergência na agenda de comércio exterior dos dois grupos. Mas o encontro em Puerto Vallarta será a primeira cúpula presidencial dos dois blocos, que viram a aproximação ganhar força com as presidências de Temer e de Mauricio Macri, da Argentina, e com o novo enfoque comercial do grupo – historicamente unido por afinidades políticas.

As transições de governos, no entanto, devem dificultar um resultado concreto. Além da troca nos governos de México e Brasil, Paraguai e Colômbia terão novos presidentes a partir de agosto. “A ideia é a importância simbólica de que os dois principais agrupamentos da região estejam dando um impulso político para esse esforço de aproximação”, disse o subsecretário-geral da América Latina e Caribe no Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Paulo Estivallet. 

Segundo o diplomata brasileiro, há conversas para que um plano de ação entre os presidentes facilite o comércio entre os países, incluindo a área de digital, não apenas em serviços, mas em questões como direito do consumidor.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota na sexta-feira em que defende acordos entre os dois blocos. Segundo a CNI, a Aliança do Pacífico é o quinto maior destino de exportações brasileiras. A participação do Brasil no total das importações do México, segundo a instituição, caiu de 1,7% para 1,3% entre 2008 e 2017. 

Em nota, o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaodi, afirmou que o Mercosul “precisa de uma agenda ambiciosa de acordos comerciais com os países da Aliança do Pacífico”. / Colaborou Camila Turtelli

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