Sob pressão, premiê paquistanês falará sobre morte de Bin Laden

Tensão entre Paquistão e Estados Unidos aumentou após operação contra líder da Al Qaeda

REUTERS

09 de maio de 2011 | 08h45

ISLAMABAD - Rivais políticos estabeleceram os líderes do Paquistão como alvos nesta segunda-feira, 9, após a morte de Osama Bin Laden no país, aumentando a pressão norte-americana sobre a nação escolhida pelo líder da Al Qaeda para se esconder, e o primeiro-ministro preparou um discurso no Parlamento pela primeira vez desde o início da crise.

 

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O principal partido de oposição do Paquistão intensificou os pedidos para que o primeiro-ministro e o presidente renunciem devido à quebra de soberania nacional ocorrida quando forças especiais norte-americanas entraram no país pelo Afeganistão para atacar o complexo onde Bin Laden estava escondido.

"Queremos as renúncias, não explicações imprecisas", disse uma autoridade da Liga Muçulmana, partido do ex-premiê Nawaz Sharif, ao diário The News.

O Paquistão comemorou a morte de Bin Laden, que planejou os ataques de 11 de setembro de 2001, realizado com aeronaves comerciais em solo norte-americano. A nação considerou o fim do líder da Al Qaeda um passo na luta contra a militância, mas reclamou que o ataque com helicópteros feito pelos EUA era uma violação da sua soberania nacional.

O primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani, que realizará um discurso no Parlamento às 9 horas (horário de Brasília), deve fazer um severo alerta contra outras ações militares dentro do Paquistão por forças estrangeiras.

 

Tensão entre países

O incidente aumentou a tensão entre Islamabad e Washington, cujos laços são importantes na luta contra militantes islâmicos e na guerra no Afeganistão.

As relações entre os dois países já estavam frágeis devido a uma série de disputas diplomáticas sobre assuntos como um grande ataque feito por um avião teleguiado norte-americano em março e Raymond Davis, um agente da CIA morto a tiros por dois paquistaneses na cidade de Lahore, em janeiro.

No que pode causar uma elevação ainda maior nas tensões, uma emissora de televisão paquistanesa e um jornal publicaram o que disseram ser o nome de um chefe secreto da CIA em Islamabad.

A embaixada norte-americana se negou a comentar, mas disse que ninguém com aquele nome trabalhou na missão no Paquistão.

No ano passado, após o chefe dos Inter-Serviços de Inteligência (ISI, na sigla em inglês) do Paquistão ter sido nominalmente citado em um processo civil norte-americano sobre os ataques na cidade indiana de Mumbai, o então líder do posto da CIA em Islamabad foi também revelado pela imprensa paquistanesa, sendo obrigado a deixar o país.

O Paquistão ficou em uma situação embaraçosa com a descoberta do homem mais procurado do mundo em um complexo com muros altos em Abbottabad, uma cidade localizada apenas 50 quilômetros ao norte da capital e muito perto da principal academia militar do país. Tal fato causou acusações de que incompetência do serviço de inteligência ou a cumplicidade estavam ajudando Bin Laden a se esconder no local.

"Se ele realmente estava vivendo naquele complexo há cinco anos, então porque nossas agências não descobriram?", afirmou o ex-ministro das Relações Exteriores, Khursheed Mehmood Kasuri. "Isso deu a indivíduos anti-Paquistão a chance de nos ridicularizar."

Gilani culpou a fuga de Bin Laden por quase uma década, após o 11 de setembro, a uma "falha global de inteligência", e os EUA evitaram acusar o Paquistão de dar abrigo propositalmente a Bin Laden.

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