Sob pressão, rebeldes curdos prometem libertar 8 turcos

Turquia mantém opção de ofensiva e critica UE por não extraditar separatistas

O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

Pressionados por um possível ataque em larga escala da Turquia, militantes de um grupo separatista curdo que estão escondidos no norte do Iraque anunciaram ontem que os oito soldados turcos capturados no dia 21 serão libertados em breve, informou a agência de notícias pró-curda Firat.Murat Karayilan, um comandante do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), disse que o Exército da Turquia estava atacando o lugar onde estão detidos os oito soldados turcos. ''''Eles não podem ser libertados em qualquer parte, pois estão em um campo de batalha. Estamos dispostos a conversar com uma delegação que venha buscá-los'''', disse Karayilan. A libertação dos soldados foi pedida por 75 organizações não-governamentais. Doze soldados turcos foram mortos no mesmo ataque curdo em que os 8 militares foram capturados, no dia 21.Apesar do anúncio do PKK, aviões turcos continuaram ontem atacando campos de rebeldes curdos no norte do Iraque, após o fracasso das conversações diplomáticas em Ancara. O governo turco considerou insuficientes as propostas feitas por uma delegação iraquiana para conter as atividades do PKK no Iraque. Segundo Ancara, 3 mil militantes do grupo usam as montanhas iraquianas como base para seus ataques ao território turco. A Turquia atribui ao PKK a morte de 30 mil pessoas desde 1984, quando o grupo iniciou a luta armada pela criação de um Estado independente.O governo turco exige a extradição de 153 líderes do PKK, mas o Iraque disse que poderia entregar apenas 18 e suas forças de segurança não têm condições de capturar os outros. Ontem, o premiê turco, Recep Erdogan, também criticou os países da União Européia por não extraditarem rebeldes curdos para a Turquia. Erdogan acusou esses países de não apoiar a luta turca contra os separatistas. ''''Nenhum país da UE extraditou membros do PKK, apesar de o grupo ser considerado terrorista'''', declarou na TV. Segundo Ancara, há vários rebeldes refugiados em países da Europa ocidental.A Turquia enfrenta intensa pressão do Iraque, dos EUA e de outros países contra uma ofensiva em larga escala no Curdistão iraquiano, o que poderia desestabilizar a região. O premiê turco reiterou ontem, porém, que a Turquia lançará o ataque se e quando considerar necessário. ''''Não precisamos perguntar nada a ninguém sobre isso'''', disse Erdogan a uma multidão na cidade de Izmit. ''''Alguns países podem ter outros desejos, mas nós tomamos nossas decisões.'''' Na sexta-feira, um funcionário turco disse que seu país poderia esperar até Erdogan reunir-se com o presidente americano, George W. Bush, no dia 5 em Washington, antes de tomar uma decisão sobre a ofensiva. Mas Erdogan declarou ontem que a Turquia não será pressionada por datas.AP, REUTERS E EFE

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