Sob pressão, Uganda fecha o cerco a Joseph Kony

Cinco líderes da guerrilha africana foram presos; captura ganhou força após vídeo 'Kony 2012', campanha da ONG Invisible Children.

BBC Brasil, BBC

14 Maio 2012 | 19h00

Em meio à crescente pressão internacional, a Uganda deu mais um passo nesta segunda-feira rumo à captura do chefe do Exército da Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), Joseph Kony, com a prisão de Caesar Achellam, um dos cinco líderes mais importantes do grupo.

Na avaliação das Nações Unidas, a detenção é um claro sinal de que o cerco está se fechando contra Kony, que é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por recrutar milhares de crianças como soldados e por transformá-las em escravas sexuais, assim como a morte de civis, violações e mutilações.

Achellam integrava o LRA há mais de 20 anos e foi preso na República Centro-Africana após um combate entre militares ugandenses e um grupo de 30 rebeldes. Sua mulher, uma filha e um ajudante também foram presos.

"As últimas informações que temos é que, ao invés de permanecer um ou dois meses no mesmo lugar como Kony fazia, ele agora precisa mudar de local quase que diariamente", disse Abou Moussa, representante especial da ONU para a República Centro-Africana.

"Encontramos vestígios de seus acampamentos e os rebeldes detidos nos informaram de seu estado atual. A pressão está fazendo efeito", acrescentou.

Kony ficou conhecido em todo o mundo após o vídeo "Kony 2012", feito pela ONG americana Invisible Children, ter sido assistido por milhões de pessoas na internet. O chefe da organização defendeu um esforço da comunidade internacional para levar o africano à Justiça.

Cerca de 10 milhões de usuários assistiram ao vídeo de meia hora e várias celebridades, incluindo os músicos P. Diddy e Rihanna, publicaram o vídeo em seus perfis oficiais no Twitter.

Para o porta-voz do Exército da Uganda, Felix Kulaigye, a prisão de Achellam é um sinal importante de que os esforços estão indo na direção certa.

"Sua captura sem dúvida causará uma mudança de opinião dentro do LRA", disse.

Na busca a Kony, o Exército da Uganda recebe a assistência de militares de outros países africanos e de forças especiais dos Estados Unidos.

Atrocidades

As forças de Kony são acusadas de atrocidades em Uganda, na República Democrática do Congo, na República Centro-Africana e no Sudão do Sul desde os anos 1980.

Em outubro passado, o presidente americano, Barack Obama, anunciou o envio de cem soldados das forças especiais a Uganda, para ajudar a capturar Kony.

Joseph Kony e seus aliados próximos são procurados pelo TPI desde 2005. A sua campanha no norte de Uganda começou há mais de 20 anos, quando eles diziam estar lutando por um "Estado bíblico" e pelos direitos da população acholi, que habita a região.

O LRA é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, e agora opera principalmente em países vizinhos a Uganda.

O grupo é conhecido por sequestrar crianças, forçando os meninos a combater como soldados e usando as meninas como escravas sexuais.

Em 2008, Kony se recusou a assinar um acordo de paz com o governo de Uganda, quando descobriu que não poderia garantir a retirada dos mandados de prisão do TPI. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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