Sob pressão xiita, Bush revê planos para o Iraque

Chamado a Washington para conversações com o presidente George W. Bush sobre o processo de devolução do poder aos iraquianos, o chefe da administração civil americana no Iraque, o diplomata Paul Bremer, propôs a revisão no plano dos EUA. Bremer também disse aos jornalistas que procurará orientação do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para o processo eleitoral iraquiano.Mas Bremer frisou que não será possível realizar eleições diretas antes de 1º de julho. Nessa data os americanos pretendem empossar um governo interino, escolhido por uma assembléia eleita, em maio, por líderes regionais iraquianos indicados por uma comissão.O plano desagrada ao grão-aiatolá Ali al-Husseini al-Sistani, o mais influente clérigo na comunidade xiita, da qual faz parte mais de 60% da população do Iraque. Os xiitas temem que a assembléia indireta seja manipulada e não lhes dê a predominância que uma eleição direta garantiria.Um assessor de Al-Sistani, o clérigo Mohammed Baqir al-Mehri, disse que se a proposta de eleição direta for rejeitada, o aiatolá poderá baixar uma ?fatwa? (edito religioso) negando legitimidade ao conselho eleito conforme o plano dos EUA. Em Kerbala, cidade sagrada xiita no Iraque, o representante local de Al-Sistani ameaçou promover greves e manifestações.Fontes no governo americano disseram que os EUA estão reexaminando o plano para garantir maior participação direta dos iraquianos. Al-Sistani tem reputação de ser um moderado, e altos funcionários dos EUA admitem que ele é poderoso demais para ser ignorado.

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