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Sob protestos, Ahmadinejad toma posse para novo mandato

Em discurso, presidente reeleito pediu união, apesar da polêmica na eleição

Reuters e BBC,

05 de agosto de 2009 | 18h09

Mahmoud Ahmadinejad tomou posse nesta quarta-feira, 4, para um segundo mandato como presidente do Irã, numa cerimônia boicotada por políticos reformistas e marcada por protestos nas ruas. O radical de 53 anos prestou juramento quase oito semanas depois da sua polêmica reeleição, contestada por adversários, que mergulhou o país na pior crise desde a revolução islâmica em 1979, e expôs profundas divisões dentro da elite política e clerical.

 

Ahmadinejad disse que o Irã quer uma coexistência pacífica com o mundo, mas resistirá a qualquer potência "intimidadora". "Internacionalmente, buscamos paz e segurança. Mas por queremos isso para toda a humanidade nos opomos à injustiça, à agressão e à prepotência de alguns países".

 

Os ex-presidentes Mohammad Khatami e Akbar Hashemi Rafsanjani, ambos reformistas, não foram à cerimônia. A maior parte da bancada de 70 deputados reformistas também faltou, segundo a agência oficial de notícias Irna.

 

A tropa de choque foi mobilizada nas ruas próximas. Testemunhas disseram que centenas de seguidores do candidato derrotado Mirhossein Mousavi se congregaram perto do Parlamento. "Fui agredida por policiais que quiseram dispersar os manifestantes", disse uma testemunha, que não quis ser identificada.  Outra testemunha afirmou que dezenas de manifestantes se reuniam próximos ao grande Bazar de Teerã. "Eles estavam gritando 'Allah-u Akbar' (Deus é grande), e 'Mousavi, nós te apoiamos'. Mas a tropa de choque os dispersou", disse uma pessoa na zona sul de Teerã, onde fica o Bazar. Relatos das testemunhas indicam que pelo menos dez pessoas foram detidas.

 

Mehdi Karoubi, outro candidato moderado derrotado por Ahmadinejad, criticou o regime clerical por "surprimir protestos nas ruas". "Usar métodos amedrontadores para suprimir as pessoas não trará resultado. Permitam que as pessoas protestem nas ruas e entoem slogans", disse nota em seu site, o Etemademelli.

Boicote

Alguns pesos-pesados da política iraniana não compareceram à posse de Ahmadinejad, como os ex-presidentes Mohammad Khatami e Akbar Hashemi Rafsanjani.

Também não compareceram os dois candidatos de oposição derrotados na eleição, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, que continuam questionando os resultados da eleição.

Ahmadinejad agora terá duas semanas para formar um governo, que deverá ser aprovado pelo Parlamento.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, o presidente encontrará dificuldades em formar um governo com credibilidade, já que recentemente ele se envolveu em disputas com políticos conservadores que costumavam ser seus aliados.

A imprensa estrangeira, tem acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã. A vitória de Ahmadinejad desencadeou as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas. Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior do que o divulgado. Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração nos protestos que seguiram a reeleição de Ahmadinejad.

 

Os governantes de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Alemanha decidiram não cumprimentar Ahmadinejad por sua reeleição. Ele tomou posse. Esse é um fato. Se a eleição foi justa, obviamente o povo iraniano ainda têm dúvidas a respeito, e vamos permitir que eles decidam", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

 

A secretária de Estado Hillary Clinton disse que os EUA continuarão buscando um diálogo que leve à desnuclearização do Irã, que garante ter objetivos pacíficos em seu programa atômico. "Nem sempre conseguimos um acordo com o governo que queremos", disse ela. "Pegamos a realidade de que a pessoa que tomou posse hoje será considerada presidente. Mas apreciamos e admiramos a continuada resistência e os atuais esforços dos reformistas para fazer as mudanças que o povo iraniano merece."

 

Hillary acrescentou que as grandes potências vêm discutindo um pacote de incentivos e sanções ao Irã com relação ao seu programa nuclear.

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