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Sob risco de bombas, ritual xiita reúne 7 milhões no Iraque

Autoridades iraquianas dizem que evitaram 3 ações; 40 mil policiais e soldados fazem a segurança

Sami Al Jumaili, da Reuters,

28 de fevereiro de 2008 | 11h06

Autoridades iraquianas disseram nesta quinta-feira, 28, que evitaram a explosão de três carros-bomba durante um ritual xiita que atrai esta semana cerca de 7 milhões de peregrinos à cidade de Kerbala, ao sul de Bagdá. A cerimônia do Arbain é realizada sob a vigilância de 40 mil policiais e soldados iraquianos, com apoio de tanques. No ano passado, ataques atribuídos a insurgentes sunitas mataram 149 peregrinos. Durante o evento, muitos peregrinos desfilam batendo nas cabeças e simulando açoites em seus corpos. Muitos viajaram a pé até Kerbala, cidade santa para os xiitas. O governador local, Aqeel Al Khazali, disse que a polícia desativou três carros-bomba nos acessos a Kerbala às vésperas do Arbain. Mas a violência não afasta os peregrinos. "Perdi minha mão no ano passado numa explosão em Kerbala. Perdi meus melhores amigos", disse Mohammed Abbas, 41 anos, que vive na própria cidade, situada 110 quilômetros ao sul de Bagdá. "Apesar disso, decidi deixar para trás todos os medos e lembranças dolorosas. Tenho de vir participar dos rituais para sentir que ainda estou vivo", afirmou ele à Reuters. O Arbain marca o final de um período de luto de 40 dias depois da Ashura, ritual alusivo à morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé, no ano 680 da era cristã. As amplas avenidas e os estreitos becos de Kerala estão tomados por peregrinos vestidos de preto, muitos deles agitando bandeiras coloridas ou cartazes com os nomes das províncias de onde vêm. Além de bater na cabeça e nas costas, vários participantes se cobrem de lama, num sinal de devoção, quando chegam ao local considerado mais sagrado, entre as mesquitas do imã Hussein e do imã Abbas, no centro da cidade velha. Nas calçadas, enfileiram-se gigantescos caldeirões com arroz e "qeema" (prato típico iraquiano, feito com lentilhas e carne picada). Outras barraquinhas oferecem chá e leite, tudo de graça. Como todos os 350 hotéis de Kerbala estão lotados, milhares de peregrinos dormem nas ruas. Nos últimos anos, esses rituais são alvo da Al Qaeda e de outros militantes sunitas, que consideram os xiitas hereges. Os xiitas são maioria no Iraque, mas minoria no mundo islâmico e sofriam discriminações durante o regime de Saddam Hussein, que era sunita. O governador Khazali disse também que 18 suspeitos foram presos, alguns portando documentos que conclamavam à violência sectária e a ataques contra o evento, que segundo o político reúne 7 milhões de fiéis. Mas a segurança reforçada não impediu que um homem-bomba, supostamente da Al Qaeda, matasse no domingo 63 peregrinos em Iskandariya, localidade próxima a Bagdá. Houve pelo menos três outros ataques com mortes contra pessoas que se dirigiam a Kerbala. "Fiquei com muito medo em toda a estrada até Kerbala. A todo momento eu esperava que algo de ruim nos acontecesse", disse o professor Radhi Khaled, 43 anos, da província de Maysan (sul).

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