Sob risco de irritar China, Taiwan receberá dalai-lama

Sob risco de irritar China, Taiwan receberá dalai-lama

Pequim diz que viagem do líder tibetano para visitar sobreviventes de tufão sabota melhora da relação com a ilha

27 de agosto de 2009 | 08h24

O governo de Taiwan aprovou uma visita ao país do líder espiritual tibetano dalai-lama, numa decisão que pode irritar a China, ameaçando prejudicar seus laços em um momento de crescimento do comércio e investimentos entre os dois rivais políticos. O presidente Ma Ying-jeou concordou com um pedido de líderes da oposição para que o líder espiritual vá a Taiwan confortar as vítimas do tufão Morakot. O governo chinês afirmou que se opõe firmemente a viagem do líder tibetano e que a visita ameaça "sabotar" a melhora das relações entre Pequim e a ilha.

 

Segundo a BBC, a China normalmente manifesta irritação com nações que recebem o dalai-lama, tido como um perigoso separatista pelo governo chinês. A viagem é particularmente polêmica, já que Pequim considera Taiwan e o Tibete parte de seu território.

 

Durante o governo anterior de Taiwan, o dalai-lama visitou a ilha várias vezes - a visita mais recente, em 2001. Mas o presidente Ma, que subiu ao poder em 2008, está muito mais próximo da China do que seu predecessor, Chen Shui-bian. No ano passado, ele se recusou a dar permissão para uma visita do líder espiritual, dizendo que o momento não era adequado, já que seu governo estava trabalhando para melhorar relações com Pequim. Mas o tufão e suas consequências deixaram Ma em uma situação difícil.

 

Cerca de 500 pessoas morreram nas inundações e deslizamentos de terra causados pelo tufão - o pior a atingir a região nos últimos 50 anos - e o governo de Ma vem sendo criticado por sua resposta lenta e pouco eficiente. Sua popularidade caiu para apenas 20%, um recorde negativo no país, por causa da forma como ele lidou com o desastre.

 

"Não importa de que forma ou identidade o dalai usará para entrar em Taiwan, somos definitivamente opostos", afirmou o governo em uma nota divulgada pela agência estatal de notícias Xinhua. "Algumas pessoas do Partido Progressista Democrático usam a desculpa da missão de resgate para convidar o dalai para visitar Taiwan para sabotar" os esforços para impulsionar a as boas relações entre Pequim e a ilha.

 

A China considerada o líder espiritual tibetano que vive no exílio um separatista e condena suas viagens pelo exterior. A China reclama soberania sobre Taiwan desde 1949, quando as forças de Mao Tsé-Tung ganharam a guerra civil chinesa e os derrotados escaparam para a ilha. Pequim promete recuperar o controle de Taiwan, mesmo que seja necessário usar a força.

 

Texto atualizado às 9h50.

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