Sob risco de prisão, Menem pode deixar Argentina

O ex?presidente Carlos Menem (1989-99) está se preparandopara enfrentar a Justiça pela segunda vez em menos de um ano. ?El Turco?, como é conhecidopopularmente, poderia, nos próximos dias, ter que prestar depoimento ao juiz federal Julio Speroni pelainvestigação sobre o contrabando de 6.500 toneladas de armas à Croácia e ao Equador, ocorrido entre1991 e 1995.O governo obteve US$ 100 milhões com a venda ilegal. No entanto, deste total,desconhece-se o paradeiro de US$ 60 milhões.O ex?presidente, que por causa deste contrabando amargou no ano passado cinco meses de prisãodomiciliar, não aceitaria uma nova detenção, e estaria disposto a sair do país.?Não irei à prisão outra vez? teria sido, segundo pessoas do círculo do ex-presidente, a exclamação que fezquando foi informado da possibilidade de ter que voltar ao edifício dos tribunais.Menem convocou para o início desta semana uma reunião de emergência com sua equipe de assessores,entre os quais seu advogado defensor, Oscar Salvi, e o sempre fiel ex?ministro da Justiça RodolfoBarra, homem de passado declaradamente pró-nazista.O grupo político de Menem começou a propagar a idéia de que ?el jefe? (o chefe) é um?perseguido político?. Nesta categoria, ?El Turco? não hesitaria em deixar o país diante da possibilidade de irde novo para a prisão. No ano passado, Menem esteve em prisão domiciliar e só conseguiu sair dali graças àCorte Suprema, onde o ex?presidente (que designou a maioria dos atuais juízes) possui imensa influência.Na ocasião, na semana antes de ser detido, Menem sondou as possibilidades de conseguir asilo políticono Uruguai, segundo disse na época o chanceler uruguaio Didier Operti. Desta vez, Menem poderia sair do país sem problemas, já que a Justiça não o proíbe.O país mais seguro,no início, seria o Chile, cuja fronteira está a poucos quilômetros da casa de Menem em La Rioja. O Chile é opaís de sua esposa, a ex-miss Universo Cecilia Bolocco. Por causa do mesmo escândalo de contrabando, está preso há duas semanas o ex?ministro daEconomia, Domingo Cavallo.Menem não teria como conseguir o apoio do governo de plantão, já que o atual presidente,Eduardo Duhalde, é seu principal inimigo dentro do Partido Justicialista (Peronista). Segundo a revistaVeintitrés, ?El Turco? teria ligado para seu irmão, o senador Eduardo Menem, para ordenarcategoricamente: ?Com o duhaldismo não negociaremos nada?.Dentro do peronismo, Menem possui escasso poder de fogo. Desde que deixou a presidência do país, emdezembro de 1999, seu poder esvaziou-se rapidamente. Atualmente, de 101 deputados peronistas noCongresso Nacional, ?El Turco? somente controla 10. Mesmo em seu feudo político, a província de La Rioja,está perdendo terreno para novas gerações de políticos cansados do predomínio de Menem nas últimastrês décadas.Entre os argentinos, Menem está na lista negra dos políticos com o maior rechaço popular. Diversaspesquisas indicam que ele só possui 13% de imagem positiva.

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