Sob sombra do 11/9, oposição diz que apoia plano de Obama contra jihadistas

Sob sombra do 11/9, oposição diz que apoia plano de Obama contra jihadistas

O presidente dos EUA busca garantir também uma coalizão internacional para apoiar bombardeios em países do Oriente Médio

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2014 | 02h02

Um dia depois de Barack Obama defender ataques aéreos no Iraque e na Síria e no aniversário dos 13 anos dos ataques do 11 de Setembro, o presidente recebeu forte apoio de congressistas de ambos os partidos para agir contra o Estado Islâmico (EI).

Preocupados com as eleições legislativas de 4 de novembro, democratas e republicanos disseram que se mobilizarão no Congresso para apoiar o plano militar do presidente, que também tem o respaldo da população, segundo pesquisas de opinião.

Treze anos depois do início da guerra desencadeada pelos ataques em Nova York e Washington, Obama homenageou as vítimas ontem, na capital americana, sem mencionar o EI. "Como americanos, nós seguimos em frente. Não nos rendemos ao medo. Nunca", declarou Obama, no Pentágono, onde um dos aviões pilotados por terroristas caiu em 11 de setembro de 2001, matando 125 pessoas. Com os ataques em Nova York e a queda de outro avião na Pensilvânia, o total de mortos foi de 2.977.

Em seu discurso, o presidente prometeu que em três meses a missão de combate dos EUA no Afeganistão terá terminado, encerrando a "guerra ao terror" declarada por seu antecessor, George W. Bush.

Agora, Obama parece ter apoio maciço na sua luta contra o novo "desafio" à segurança nacional americana: as ações terroristas do EI, que incluem a decapitação de dois jornalistas americanos. Nas semanas que antecedem as eleições legislativas, as sessões do Congresso estavam preparadas para focar nas questões domésticas, como o debate sobre o orçamento, mas tiveram sua agenda mudada após o discurso de Obama, na quarta-feira.

O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, explicou que o Congresso realizará na próxima semana uma série de consultas com autoridades do governo sobre o tema. O secretário de Estado, John Kerry, falará à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, na quinta-feira.

"Depois, o Congresso vai trabalhar com o governo para garantir que nossas forças tenham todos os recursos de que necessitam para conduzir essas missões", disse McConnell.

"Devemos dar ao presidente o que ele está pedindo", afirmou o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, John Boehner. As declarações de ambos indicaram que, mesmo com algumas divisões internas, o Partido Republicano respaldará o plano.

Enquanto tenta convencer os americanos, Obama busca garantir também uma delicada coalizão internacional para apoiar bombardeios em dois países do Oriente Médio. Para isso, Kerry está na região tentando fechar alianças com países importantes.

Depois de conversas em Jeddah, na Arábia Saudita, o secretário de Estado recebeu o apoio de dez países árabes - Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e de seis Estados do Golfo Pérsico, incluindo os rivais Arábia Saudita e Catar, que aceitaram participar de uma "campanha militar coordenada".

A Turquia também participou das conversas. Dois poderosos países da região, porém, o xiita Irã e a Síria, foram excluídos. Ontem, os dois criticaram o discurso de Obama. Para o Irã, a coalizão internacional está "cercada de sérias ambiguidades", enquanto a Síria alertou que uma intervenção estrangeira seria um ato de agressão, a menos que seja aprovada pelo governo sírio.

Efetivo. A CIA disse ontem que o EI tem de 20 mil a 31,5 mil combatentes. O número é maior do que os 10 mil militantes que a agência estimava antes. Segundo Ryan Trapani, porta-voz da CIA, o aumento ocorreu em razão da intensificação do recrutamento de jihadistas, em junho. / AFP, AP, NYT e REUTERS

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