REUTERS/ Kyle Grillot
REUTERS/ Kyle Grillot

Sob Trump, deportações de imigrantes caem e prisões aumentam nos EUA

Além da diminuição na chegada de ilegais , maior proteção legal aos que estão no país congestiona julgamentos de expulsões de não documentados

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 18h38

WASHINGTON -  Apesar da promessa do presidente americano, Donald Trump, de endurecer a política de imigração nos Estados Unidos, o país deportará  12,8% menos imigrantes em 2017 que em 2016. Apesar disso, o número de prisões de imigrantes na gestão Trump aumentou 43% em relação ao último ano do governo Barack Obama. 

+Líderes democratas chegam a acordo com Trump para criarem lei que protegerá jovens imigrantes

A Agência de Imigração e Aduanas (ICE, na sigla em inglês) tem prendido mais imigrantes com ficha criminal – os bad hombres – como classificou Trump durante a campanha. No entanto, a porcentagem que mais tem a crescido este ano é a detenção de estrangeiros sem problema algum com a Justiça. 

Há diversos fatores que explicam porque as deportações caíram e as prisões aumentaram, segundo especialistas em imigração, deputados e membros da ICE. 

A primeira  delas é que o número de imigrantes que tentam entrar nos Estados Unidos caiu dramaticamente após a posse de Trump, o que contribuiu para a queda na apreensão de imigrantes recém-chegados, relativamente mais fáceis de identificar. 

Ao mesmo tempo, a antipatia de setores da sociedade americana com a política migratória do presidnente aumentou a capacidade de ação de grupos de defesa dos direitos dos imigrantes, que têm arrecadado mais dinheiro, e de escritórios de advocacia que os defendem na Justiça. 

Assim, a combinação do aumento das prisões e de mais recursos contra as deportações saturou o a Justiça federal americana em casos sobre imigrações, que têm na fila mais de 600 mil casos para julgar. Os processos abertos no governo Trump podem demorar anos até serem definidos. 

“Só conseguimos defender uma pequena porção de imigrantes que precisam de advogados, mas o apoio a eles têm crescido muito no país”, disse Dan Werner, diretor da Southeast Immigrant Freedom Initiative.

As deportações da ICE chegaram a um teto histórico de 410 mil pessoas em 2012, quando o então presidente Barack Obama ganhou o apelido de “deportador em chefe” por expulsar milhares de imigantes dos Estados Unidos. Nos anos seguintes, os agentes da ICE foram instruídos a priorizar imigrantes com ficha criminal e pessoas que tentavam cruzar a fronteira. 

Neste ano, as tentativas de travessia estão abaixo da média histórica e especialistas dizem que a percepção de uma política migratória mais dura tem sido um fator inibidor. 

Agentes da ICE dizem que continuarão a priorizar criminosos, mas as novas ordens da gestão Trump deixam claro que qualquer imigrante não documentado está sujeito à deportação. 

Outro fator que tem dificultado as expulsões é a ação das chamadas cidades-santuário, que não tem colaborado com as ações do ICE. A agência tem que organizar as próprias batidas nesses locais, que se tornam caras e muitas vezes ineficazes. / WASHINGTON POST

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.