Sobe para 13 número de mortos em tiroteio em prédio da Marinha dos EUA

FBI identifica atirador como Aaron Alexis, de 34 anos, reservista da Marinha, que morreu na troca de tiros com a polícia; ataque deixa capital americana em estado de alerta e provoca um grau de apreensão não registrado desde o 11 de Setembro

Cláudia Trevisan, Correspondente

16 Setembro 2013 | 15h35

 

Policiais isolam área próxima de prédio da Marinha. Foto: Jacquelyn Martin / AP

 

A capital dos EUA ficou em alerta máximo nesta segunda-feira, 16, depois que um homem entrou armado em um complexo militar de 3 mil funcionários e abriu fogo, matando 12 pessoas e deixando 14 feridos. Morto no local, o atirador foi identificado como Aaron Alexis, de 34 anos, reservista e prestador de serviços da Marinha.

 

A informação de que um segundo atirador havia participado do ataque e escapado deixou Washington em suspense e provocou um grau de apreensão não registrado na cidade desde o 11 de Setembro. O tiroteio teve início às 8h20 em um edifício da Marinha a 1,1 km do Congresso e a 4,2 km da Casa Branca. Foi o primeiro ataque do tipo a uma instalação militar americana desde 2009, quando o major Nidal Hassan matou 13 pessoas em Fort Hood, no Texas.

 

Funcionários entraram em pânico depois de ouvir os primeiros disparos e a sirene que indica a ordem de retirada. Todd Brundidge contou que estava com seus colegas no terceiro andar do prédio quando eles encontraram um homem armado no corredor.

"Ele se virou e começou a atirar", lembrou. Todos correram em uma cena caótica. "Eles estavam empurrando, pessoas estavam caindo. Quando saímos, alguns tentavam escalar os muros para chegar do outro lado, fora do local. Foi uma loucura total."

 

O comandante Tim Jirus estava ajudando a esvaziar o prédio quando um homem o abordou e perguntou sobre o tiroteio. "Conversamos por um minuto. Eu ouvi dois tiros e ele caiu", relatou Jirus, que correu para fora do edifício em seguida.

A especialista em logística Patricia Ward tomava café na lanchonete quando ouviu os tiros. "Foram três disparos sucessivos e, três segundos mais tarde, mais quatro, e nós começamos a correr", contou.

 

No prédio funciona o quartel-general do setor da Marinha responsável pela compra e manutenção de navios e submarinos. Muitos de seus funcionários são civis. Até a noite desta segunda-feira não havia informações sobre o que motivou Alexis a cometer o assassinato em massa.

O atirador era um especialista em computação, que serviu na Marinha de 2007 a 2011 e tinha autorização para entrar no complexo onde o tiroteio ocorreu. Ele trabalhava em uma empresa chamada "The Experts", contratada pela Hewlett Packard para realizar a manutenção da intranet da Marinha, segundo nota da empresa.

 

Violência. A dúvida é como ele conseguiu entrar armado no edifício. Citando um policial envolvido na investigação, o New York Times disse que foram encontradas três armas com Alexis: um rifle AR-15, uma pistola semiautomática e uma espingarda. Como é difícil carregar esse armamento, a polícia suspeita que pelo menos uma das armas tenha sido retirada de seguranças que Alexis matou.

A informação inicial de que mais dois homens podiam ter participado do ataque espalhou pânico na capital. A atuação de um deles foi descartada no meio da tarde. À noite, tudo indicava que Alexis agiu sozinho.

 

O Aeroporto Ronald Reagan foi temporariamente fechado pela manhã para que helicópteros participassem das operações, enquanto a segurança em instalações militares e governamentais foi reforçada. Moradores vizinhos do complexo foram orientados a ficar fora da área ou dentro de casa. A entrada e saída de escolas e escritórios próximos ao local foi bloqueada durante a maior parte do dia. Por precaução, o Senado fechou as portas temporariamente. Até as 19h30, funcionários da Casa Branca estavam impedidos de sair.

 

Dizendo-se amigo próximo de Alexis, o dono de um restaurante tailandês afirmou à rede ABC que ele não era agressivo. "Ele tinha uma arma, mas isso não significa que ia atirar nas pessoas", disse Nutpisit Suthamtewakul.

 

O atirador, entretanto, havia tido problemas em duas ocasiões relacionados ao porte de armas. Alexis foi detido em Seattle, em 2004, por ter atirado nos pneus do carro de um funcionário que o teria "desrespeitado". Em 2010, foi detido novamente no Texas por disparar uma arma dentro de seu apartamento - ele alegou ter sido um acidente.

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