Sobe para 143 número de mortos em ataques na Nigéria

Uma série de ataques promovidos pelo grupo radical islâmico Boko Haram na cidade de Kano, no norte da Nigéria, deixou pelo menos 143 mortos, segundo uma autoridade do setor de saúde informou hoje. O Exército e a polícia varreram as ruas em busca dos terroristas, e o presidente do país, Goodluck Jonathan, prometeu mais uma vez que o grupo será punido "com todo o rigor da lei".

AE, Agência Estado

21 de janeiro de 2012 | 18h08

Em um comunicado emitido ontem, o porta-voz da polícia federal, Olusola Amore, disse que os atacantes tinham como alvo cinco prédios da polícia, dois escritórios de imigração e o quartel-general do Serviço de Segurança do Estado, a polícia secreta da Nigéria. A cidade de Kano, com 9 milhões de habitantes, é um importante centro político e religioso no norte do país, predominantemente muçulmano.

Um terrorista suicida detonou um carro bomba na frente de um quartel regional da polícia, destruindo o telhado e estilhaçando as janelas em uma explosão que pôde ser sentida a quilômetros de distância. Com a ação, membros da facção que estavam presos no prédio conseguiram escapar.

As autoridades nigerianas se recusaram a dar informações sobre os números de mortos, enquanto parentes começam a solicitar os corpos para enterrar antes do pôr do sol, seguindo a tradição islâmica. O total de vítimas ainda pode aumentar, já que mais corpos podem estar em outros hospitais, além do Murtala Muhammed Specialist, onde uma fonte informou o número de vítimas.

Um toque de recolher de 24 horas foi imposto em Kano, com boa parte da população ficando dentro de casa, enquanto soldados e policiais patrulhavam as ruas e montavam bloqueios. Tiros ainda eram ouvidos em algumas áreas da cidade nesta manhã.

Um porta-voz do Boko Haram, usando o pseudônimo de Abul-Qaga, assumiu a responsabilidade pelos ataques em uma mensagem enviada para jornalistas. Segundo ele, a ação é uma resposta ao governo, que se recusou a libertar membros do grupo que estão presos.

O presidente da Nigéria disse que pessoas inocentes foram "brutal e cruelmente dilaceradas por agentes do terror". "Como um governo responsável, nós não vamos cruzar os braços e ficar olhando os inimigos da democracia cometerem essa maldade sem precedentes na nossa terra. Eu quero garantir aos nigerianos que todos os envolvidos nessa ação covarde terão de enfrentar todo o rigor da lei", disse Goodluck Jonathanem um comunicado.

Mas o governo nigeriano tem sido incapaz de interromper os ataques do Boko Haram, cujo nome significa "educação ocidental é um sacrilégio", na língua Hausa, usada no norte do país. O grupo tem realizado ataques cada vez mais sofisticados e sangrentos, na sua campanha para implementar a Sharia (lei islâmica) e vingar a morte de muçulmanos na Nigéria, um país multiétnico com mais de 160 milhões de pessoas. Só no ano passado a facção teria sido responsável por 510 mortes. Este ano, já são mais 219, segundo uma contagem da Associated Press.

Em meio aos recentes ataques, pelo menos dois jornalistas já foram mortos. O repórter Enenche Akogwu, que trabalhava como correspondente em Kano para e emissora Channels Television, foi baleado ontem. Já na cidade de Jos, o editor Nansok Sallah, que trabalhava em uma rádio estatal, foi encontrado morto em um riacho na quinta-feira, aparentemente vítima de assassinato, segundo informou o Comitê para a Proteção de Jornalistas. As informações são da Associated Press.

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