Sobe para 15 número de mortos nos protestos na Venezuela

O número oficial de mortos durante os violentos choques de quinta-feira entre partidários e opositores do deposto presidente venezuelano Hugo Chávez subiu nesta sexta-feira de 11 para 15 e o de feridos, de 80 para 350 - 157 dos quais por disparos de armas de fogo -, informou o comandante do Corpo de Bombeiros de Caracas, Rodolfo Briceño. As versões sobre o início do tiroteio que apressaria a queda de Chávez, no entanto, são contraditórias.Políticos e simpatizantes do chavismo acusam a Polícia Metropolitana de Caracas, comandanda pelo prefeito da capital, Alfredo Peña - opositor de Chávez - de ter disparado contra a multidão de manifestantes que se aproximava do Palácio de Miraflores, sede do governo.Já os organizadores do protesto anti-Chávez acusam militantes dos Círculos Bolivarianos, células radicais de defesa do governo, pelo início do tiroteio. De acordo com essa versão, os partidários de Chávez infiltraram-se por trás da coluna formada na frente do palácio pela Guarda Nacional e, dos telhados próximos, passaram a disparar contra os manifestantes.Investigadores da Polícia Técnica Judicial tentam determinar a origem dos tiros. Imagens divulgadas por emissoras de TV da Venezuela mostram homens armados em trajes civis, postados num telhado, atirando contra os manifestantes. As autoridades informaram hoje que cinco pessoas ligadas às ações de violência tinham sido presas, mas não forneceram a identidade dos suspeitos.Segundo versões de imprensa, policiais confiscaram uma grande quantidade de armas e munição no escritório do político chavista Freddy Bernal, em Caracas. O movimento de protesto derivou de uma greve geral convocada pela Fedecámaras - a principal central de entidades empresariais do país - e pelo sindicato de trabalhadores da Petróleos de Venezuela, a estatal petrolífera venezuelana.O movimento, iniciado na terça-feira, deveria durar apenas 24 horas, mas acabou transformado em uma paralisação nacional por tempo indeterminado. Na quinta-feira, a marcha deveria se dispersar antes de se aproximar do Palácio de Miraflores, mas seus organizadores decidiram conduzi-la até a frente da sede do governo, onde havia grupos de partidários de Chávez dispostos a não permitir a passagem dos opositores.No momento em que os dois grupos se encontraram, o conflito se generalizou. Antes de ordenar a suspensão da transmissão das maiores emissoras de TV privadas do país, Chávez fez um pronunciamento denunciando a "total irresponsabilidade" dos organizadores da greve geral e acusando as intenções "contra-revolucionárias" e "golpistas" dos empresários de mídia venezuelanos.

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