Danish Siddiqui/Reuters
Danish Siddiqui/Reuters

Ao menos 24 mortos na Índia em 10 dias de protestos contra lei de cidadania

Manifestações tomaram o país após aprovação de lei controversa que, para críticos, afeta os muçulmanos e enfraquece os fundamentos seculares indianos

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 05h43
Atualizado 21 de dezembro de 2019 | 21h19

ISLAMABAD - Ao menos 24 pessoas morreram na Índia nos últimos 10 dias nos protestos contra uma lei de cidadania considerada discriminatória pelos muçulmanos, que representam 14% da população do país.

Novas manifestações ocorreram ontem em Chennai, capital do Estado de Tamil Nadu (sul), em Patna, no Estado de Bihar (leste), e em Nova Délhi, onde os manifestantes acenderam as lanternas de seus celulares diante da maior mesquita do país. As forças de segurança voltaram a usar jatos d’água para dispersar os manifestantes. Um manifestante foi morto em confronto com as forças de segurança em Rampur, no Estado de Uttar Pradesh (norte), que tem 20% de população muçulmana. 

Os protestos ocorreram um dia depois de manifestações nesse mesmo Estado terminarem com cinco mortos, incluindo um menino de 8 anos. 

Esses são os protestos mais importantes no país desde a chegada ao poder, em 2014, do governo nacionalista hindu de Narenda Modi.

Restrições foram impostas em grande parte do Estado de Uttar Pradesh devido aos violentos protestos registrados durante a última semana. Além disso, serviços de internet e telefone foram suspensos em vários distritos.

Em muitas regiões do país de 1,3 bilhão de habitantes as autoridades proibiram as manifestações. Neste sábado, a polícia instalou barreiras ao longo da Avenida Jantar Mantar, no centro de Nova Délhi, que se transformou nos últimos anos em um ponto emblemático dos protestos no país.

As manifestações são motivadas pela aprovação de uma controversa nova lei de cidadania. Segundo o texto aprovado no Parlamento na semana passada, minorias religiosas, como hindus e cristãos, dos vizinhos majoritariamente muçulmanos Bangladesh, Paquistão e Afeganistão que se estabeleceram na Índia antes de 2015, poderão pleitear cidadania por enfrentarem perseguição nestes países. Críticos afirmam que a lei, que não oferece a mesma proteção para muçulmanos, enfraquece os fundamentos seculares indianos.

Das universidades para todo o país

Os protestos eclodiram no Estado de Assam, no nordeste do país,  na semana passada. Desde então, tornaram-se violentos e se espalharam para universidades de todo o país, onde estudantes e público saíram para cantar slogans anti-governamentais e chamar a lei de anti-muçulmana e anti-constituição.

Em um editorial muito crítico ao governo, o jornal The Indian Express pede que se faça todo o possível "para preservar a paz" em um país onde os muçulmanos são quase 200 milhões de pessoas, representando 14% da população. Uttar Pradesh, o Estado o mais populoso da Índia com 200 milhões de habitantes, tem 20% da população muçulmana.  

"A maior democracia do mundo não pode parecer incapaz de aceitar os jovens que estão em desacordo com o poder (...) a Índia corre um alto risco se começar a ser visa como um lugar onde os dissidentes sentem medo", afirmou o jornal.

A ONG Anistia Internacional (AI) pediu na quinta-feira às autoridades indianas o fim da repressão contra os manifestantes pacíficos que protestam contra uma lei discriminatória". /AFP, EFE e Reuters

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