AFP PHOTO / Tolga AKMEN
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Famílias registram desaparecimento de moradores que estariam em prédio que pegou fogo em Londres

Número de mortos sobe para 17; causas do incêndio ainda são desconhecidas

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2017 | 07h18
Atualizado 15 de junho de 2017 | 20h17

LONDRES - Bombeiros de Londres continuavam nesta quinta-feira, 15, a busca por corpos no edifício Torre Grenfell, destruído na véspera por um incêndio de grandes proporções. Segundo novo balanço da polícia, o número de mortos subiu para 17. Autoridades acreditam que a cifra deve aumentar à medida que os bombeiros avançarem pela estrutura destruída pelas chamas, pois há muitos desaparecidos.

"Infelizmente, posso confirmar que o número de mortos é 17", afirmou o comandante da polícia de Stuart Cundy em declaração à imprensa. Autoridades acreditam que o balanço aumentará à medida que os bombeiros avançarem dentro da estrutura destruída pelas chamas.

Trinta e sete pessoas continuam hospitalizadas, 17 delas em estado grave, e já não se espera encontrar sobreviventes. Famílias começam a registrar o desaparecimento de pessoas que estariam no edifício no momento do incêndio. Parentes e amigos estão recorrendo às redes sociais na tentativa de localizar pessoas que moravam no edifício e sobre as quais não tiveram notícia após o incidente. As plataformas Facebook e Twitter estão lotadas de pedidos desesperados em busca de notícias de alguns dos moradores do edifício de 24 andares, com 120 apartamentos.

A família de Jessica Urbano, de 12 anos, tenta encontrar a menina, que acabou se separando dos parentes durante o incêndio. Sua tia, Ana Ospina, disse à imprensa que percorreu os hospitais onde os feridos estão sendo tratados em busca da sobrinha, que teria sido levada em uma ambulância.

Parentes também procuravam por Bassem Choukeir, sua mulher, Nadia, sua mãe, Sariyya, e as três filhas do casal: Mirna, Fatmeh e Zaynab. Eles moravam no 22.º andar e a Embaixada do Líbano em Londres os listou como desaparecidos. Também estavam desesperadas as famílias de dois jovens arquitetos italianos desaparecidos. Gloria Trevisan e Marco Gottardi, ambos de 27 anos, moravam no 23.º andar.

Os corpos de 6 dos 17 mortos no incêndio foram identificados nesta quinta, informou o comandante da Polícia Metropolitana de Londres, Stuart Cundy. “Infelizmente, há o risco de não conseguirmos identificar todos”, afirmou.

Uma das primeiras vítimas identificadas é o refugiado sírio Mohammed Allaj Ali, de 23 anos, que estava estudando em Londres e esperava algum dia voltar para ajudar seu país afetado pela guerra. Segundo a organização Campanha de Solidariedade para a Síria, Ali permaneceu por cerca de duas horas falando por telefone com um amigo na Síria, à espera de que os bombeiros viessem resgatá-lo. 

Quando as chamas alcançaram seu andar, o 14.º, ele se despediu do amigo e pediu que avisasse a família dele. Omar, o irmão mais velho de Ali, conseguiu sobreviver. Os dois deixaram o apartamento juntos, mas se desencontraram na confusão e Ali voltou.

As causas do incêndio, que teve início na noite de terça-feira, são desconhecidas, mas os moradores já criticavam a má gestão da empresa que administrava o prédio.

"Quase 90% dos residentes assinaram no fim de 2015 uma petição que reclamava da má gestão da empresa responsável pela manutenção do edifício. O administrador me ameaçou pessoalmente", disse David Collins, presidente da associação de moradores da torre até outubro de 2016. "Escutei que alguns alarmes de incêndio não funcionaram, não me surpreende. Estou consternado, mortificado, mas não surpreso", completou.

Collins também apontou a responsabilidade do governo do bairro de Kensington e Chelsea. "Informamos nossas preocupações e pedimos uma investigação independente, mas não nos ouviram", lamentou.

De acordo com documentos divulgados na internet, alguns moradores reclamaram em várias ocasiões nos últimos anos do estado do edifício e dos possíveis riscos de incêndio. 

De acordo com vários moradores, os trabalhos de reforma realizados em 2016 podem ter favorecido a propagação do fogo de forma extremamente rápida.

O organismo público KCTMO (Kensington & Chelsea Tennant Management Organisation), que administra o prédio, reconheceu em um comunicado "estar ciente das preocupações de longa data dos moradores". "É cedo para especular as causas do incêndio", acrescentou.

Uma reforma, no valor de 8,6 milhões de libras (US$ 12 milhões), terminou em maio de 2016. A empresa Rydon, encarregada da obra, assegurou que a reforma "respondeu a todas as exigências relacionadas às normas de incêndio, de segurança e de construção".

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, declarou que os testemunhos provocam "perguntas que aguardam respostas", enquanto o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, estimou que as medidas de austeridade do governo conservador tinham sua parcela de culpa. "Se você retira das autoridades locais os financiamentos que necessita, este é o preço a pagar.”

Um porta-voz de Downing Street declarou que a primeira-ministra britânica, Theresa May, estava "profundamente entristecida com a trágica perda de vidas na torre Grenfell".

Ela prometeu uma investigação sobre as causas do acidente após a preocupação expressada pelos moradores com relação à segurança do edifício, onde residiam muitas famílias com crianças pequenas.

"Quando for possível identificar as causas do incêndio, então certamente haverá uma investigação adequada e se há coisas a aprender, serão tomadas as medidas", disse May.

Mensagem

A rainha Elizabeth II enviou nesta quinta-feira suas condolências aos afetados pelo incêndio, e destacou a "valentia" e "generosidade" dos serviços de emergência e dos voluntários que socorreram as vítimas.

Em um comunicado divulgado pelo Palácio de Buckingham, a monarca disse que seus "pensamentos e orações estão com aquelas famílias que perderam seus entes queridos no incêndio da torre Grenfell e com as muitas pessoas que continuam em estado crítico no hospital".

"O príncipe Philip e eu gostaríamos de homenagear a valentia dos bombeiros e de outros agentes dos serviços de emergência que arriscaram suas vidas para salvar outras pessoas", afirma a nota. Elizabeth II também considerou "encorajador ver a incrível generosidade da comunidade de voluntários que correram para ajudar as vítimas deste terrível incidente". / AP, AFP e EFE

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