Sobe para 21 as vítimas de confronto entre mineiros na Bolívia

Os confrontos entre dois setores de mineiros bolivianos deixaram mais dez mortos nesta sexta-feira, elevando para 21 o total de vítimas fatais desde quinta-feira, informou o defensor público, Waldo Albarracín. O governo boliviano anunciou o envio de 700 policiais à região, para frear os ataques.O defensor disse que o acordo inicial para o fim das hostilidades alcançado na quinta-feira no povoado de Huanuni, no departamento de Oruro, fracassou e suas tentativas de mediação foram "totalmente superadas, porque continuam os enfrentamentos com dinamite".Ainda assim, a presidência boliviana não quis confirmar o número exato de vítimas. Os embates opõe mineiros bolivianos vinculados à estatal Comibol - que ganhou importância com a política de nacionalização dos recursos naturais levada a cabo pelo presidente Evo Morales - e trabalhadores cooperativados (privados) que buscam o direito de trabalhar nas jazidas. Assim como os sindicatos dos trabalhadores da estatal, boa parte das cooperativas de mineiros também integra a base de apoio do presidente boliviano Evo Morales.Os enfrentamentos começaram no meio da manhã de quinta-feira, depois que uma assembléia entre centenas de mineiros cooperativistas decidiram ocupar a mina à força.Situada a 288 quilômetros de La Paz, Huanuni é a maior mina de estanho da Bolívia, e possui reservas calculadas em um milhão de toneladas. Cerca de quatro mil cooperativistas estão na região. Os assalariados da Comibol somam mil pessoas.Missão mediadoraFalando à EFE de outro povoado próximo à mina de Huanuni, o defensor público Albarracín disse que a missão mediadora que ele liderava junto com o presidente da Assembléia de Direitos Humanos, Guillermo Vilela, teve que sair da mina devido à violência dos confrontos."Nossa etapa está superada. Tivemos que sair. O Governo deverá tomar agora decisões maiores", disse o defensor público. Além dos 21 mortos, calcula-se que cerca de 200 mineiros ficaram feridos nos confrontos. Os mineiros chegaram a usar cargas de dinamite para atacar o grupo rival.O ministro da Defesa boliviano, Walker San Miguel, informou no Palácio de Governo, em La Paz, que 700 policiais foram enviados para a zona do conflito. Ainda assim, ao meio dia os agentes ainda encontravam-se na entrada do vilarejo de Huanuni.San Miguel esteve com a ministra de Governo (Interior) boliviana, Alicia Muñoz, e o comandante da Polícia, Isaac Pimentel. Segundo ele, a polícia ainda não pôde ingressar na zona do conflito por causa do "fogo cruzado". San Miguel também pediu que os mineiros deixem a "intransigência".A ministra Alícia, por sua vez, descartou uma ida do presidente Evo Morales - que ainda não se pronunciou sobre o assunto - ou do vice-presidente Alvaro García Linera à região.As autoridades destacaram que o contingente policial ingressará na mina sem levar armas letais. A declaração parece ser uma reação às alegações de líderes cooperativistas de que alguns dos mortos foram vítimas de armas de fogo. Segundo alguns canais de televisão, o Exército teria atuado na quinta-feira realizando disparos contra os manifestantes.Texto atualizado às 16h32

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