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Sobe para 260 número de mortos em desabamento de Bangladesh

No dia anterior à queda, polícia e associação têxtil pediram esvaziamento do prédio; mais de mil escapam feridos

DACA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h05

A fábrica de roupas que desabou na quarta-feira nos arredores de Daca, capital de Bangladesh, recebeu ao menos dois alertas de abandono do edifício antes do acidente que deixou, até agora, 260 mortos. A polícia e a Associação de Produtores e Exportadores de Roupas de Bangladesh (Aperb) pediram que os mais de 3 mil trabalhadores deixassem o local em razão de rachaduras encontradas nos oito andares do prédio.

"Depois que soubemos das rachaduras, pedimos que o trabalho fosse suspenso, mas não fomos ouvidos", disse Atiqul Islam, presidente da Aperb. Um dia antes do acidente, a polícia também pediu o isolamento do edifício. Segundo o diretor da polícia paramilitar Mostafizur Rahman as fábricas de vestuário desobedeceram as ordens, ao contrário de outras empresas que funcionavam no local.

Os operários da fábrica produziam roupas para exportação revendidas por tradicionais marcas ocidentais. As buscas por sobreviventes continuam.

"Muita gente ainda não foi resgatada dos escombros", disse o chefe de polícia de Daca, Habibur Rahman. "O número de mortos ainda deve subir."

No local do resgate, era possível na manhã de ontem ouvir pedidos de socorro dos sobreviventes. Um repórter da Associated Press disse ter ouvido um deles gritar: "Salve-nos, por favor. Eu quero viver. Tenho dois filhos pequenos".

O operário Abdur Rahim, que sobreviveu ao acidente, disse ter recebido garantias do diretor da fábrica de que o prédio era seguro. Uma hora depois, ocorreu o desabamento. Segundo o engenheiro-chefe do departamento de obras públicas de Daca, o edifício passou por uma reforma irregular na qual ganhou três andares.

O governo de Bangladesh, que tem a terceira maior indústria têxtil do mundo, depois da China e da Itália, prometeu punir os culpados.

Segundo o ministro de Assuntos Internos de Bangladesh, Shamsul Haque, ao menos 2 mil pessoas tinham sido resgatadas dos escombros até ontem de manhã.

Segundo a Aperb, havia 3.122 operários do setor têxtil no prédio, a maioria mulheres, mas não é possível precisar quantos deles estavam no edifício no momento do desabamento.

"Vamos começar a remover os destroços só no final da operação, para não prejudicar a busca por sobreviventes. Há mil soldados e bombeiros no local, mas a multidão de curiosos está dificultando nosso trabalho", disse o general Mohammed Siddiqul Alam Shikder, que comanda o resgate.

A marca de roupas britânicas Primark confirmou que um de seus fornecedores ocupava o segundo andar do edifício e divulgou uma nota de pesar. "A companhia está comovida e entristecida com esse horrível acidente", diz o texto.

A canadense Loblaw também confirmou que tinha negócios com uma empresa que operava no local. A Benetton negou que um de seus fornecedores produzisse peças no prédio. O Wal-Mart informou que não sabia se comprava peças de empresas de lá. / AP e REUTERS

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