Sobe para 32 o número de mortos no atentado na Colômbia

Já são 32 os mortos no atentado com um carro-bomba com 200 kg de explosivos que atingiu a sede social de um clube da exclusiva zona norte de Bogotá, na noite de sexta-feira. Os feridos chegam a 200. A explosão derrubou dois pisos do edifício onde mais de 700 pessoas assistiam a um casamento, jantavam, faziam ginástica ou se divertiam na piscina ? havia até uma festa para crianças.Uma menina foi retirada com vida 12 horas depois da explosão. As autoridades, começando pelo presidente Alvaro Uribe, responsabilizaram pelo atentado as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).Há cerca de dois anos, o comando da guerrilha prometeu levar a guerra civil para as grandes cidades, ?para que a elite sinta de perto?. Em praticamente quatro décadas, a luta entre Exército, esquadrões paramilitares de direita e a guerrilha de esquerda foi travada principalmente no empobrecido interior do país.Foi por volta das 20h15 locais (23h15 em Brasília) que o carro-bomba foi detonado, na garagem do elegante Club El Nogal. A explosão, no terceiro piso da sede social, estremeceu todo o edifício, pôs abaixo os dois andares imediatamente acima, arrancou a fachada de quatro pisos e danificou prédios a mais de 1.500 metros de distância no bairro de El Nogal, zona residencial de classe média alta onde há também prédios de escritórios e sedes de embaixadas. Houve feridos em carros que circulavam nos arredores do clube.A explosão foi seguida por um incêndio dominado depois de duas horas. Enquanto isso, freqüentadores e funcionários do clube, muitos tomados pelo pânico, tentavam sair dos escombros em meio à fumaça. Muitos agitavam lenços das janelas, pedindo socorro. Adultos, mesmo feridos, ajudavam a resgatar crianças ou procuravam por seus filhos em meio ao caos. ?Quando sentimos a explosão, o edifício tremeu forte por uns dez minutos?, disse um homem que jantava no restaurante do oitavo andar. ?A luz se apagou, as lâmpadas caíram, as pessoas começaram a gritar ? foi espantoso.?No escuro, sufocados pela fumaça, os freqüentadores do clube procuravam caminhos para sair. Segundo testemunhas, muitos caíram na rua, através do buraco aberto na fachada do prédio pela explosão. Luis Carlos Naranjo, que jantava com a família, narrou o salvamento improvisado por funcionários e freqüentadores.?Quando desabou uma parte do quinto andar, alguém indicou um lugar por onde passava o ar. Uma pessoa colocou um tubo, encostado às vigas e ajustado aos escombros, e por ele escorregaram 50 pessoas, entre elas umas oito crianças, inclusive meus dois filhos.? A mais nova, de dois anos, deslizou nos ombros da babá. O mais velho foi ajudado por um garçom. ?O homem estava com o rosto ensangüentado, mas assim mesmo salvou meu filho.?O presidente Alvaro Uribe, que assumiu em agosto prometendo esmagar a guerrilha de esquerda, visitou o Club El Nogal ainda na madrugada, para acompanhar o socorro às vítimas. Ele foi o primeiro a acusar as Farc, sem citar a sigla. ?Hoje, mais do que nunca, temos de reiterar uma decisão: com o terrorismo não se pode ser condescendente?, disse Uribe. O presidente atribuiu ?à mistura entre violência e drogas? o problema do país, e pediu para a Colômbia a mesma atenção internacional dada ao Iraque.?Não tenho a menor dúvida de que foram as Farc?, acusou o vice Francisco Santos. ?Sabíamos que estavam tratando de realizar um ataque à capital. Bogotá já foi testemunha dos métodos da guerrilha, que se iguala aos narcoterroristas de Pablo Escobar?, disse Santos, evocando os carros-bomba detonados nos anos 80 pelo extinto Cartel de Medellín.

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