Sobe para 56 número de mortos em confrontos no Iêmen

Confrontos na madrugada entre forças do Iêmen e dissidentes deixaram 28 mortos, informou hoje a agência estatal Saba. Além disso, o Ministério da Defesa afirmou que uma explosão em um depósito de munição da poderosa tribo Al-Ahmar matou 28 pessoas na capital do país.

AE, Agência Estado

26 de maio de 2011 | 16h43

Rebeldes contrários ao governo do presidente Ali Abdullah Saleh afirmam que não houve explosão acidental, mas um ataque com bombas lançado por forças oficiais contra os oposicionistas, segundo a Associated Press. Os rebeldes advertiram para o risco de uma guerra civil, com o aprofundamento da crise política.

O depósito de munições fica em um prédio próximo de um posto militar onde estão tropas lideradas pelo general dissidente Ali Mohsen al-Ahmar, diz o governo. Um militar aliado do general Ahmar negou a versão, afirmando que "não há depósito de munição na área" e que ocorreu um ataque. Não há como verificar de modo independente as versões, pelas restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa.

Há confrontos com mortes desde a segunda-feira entre as forças de segurança e aquelas leais ao xeque Sadiq al-Ahmar. As forças dissidentes e manifestantes civis querem a deposição de Saleh, no poder desde 1978. A violência pode se tornar uma rebelião liderada por milícias, após meses de protestos civis contra o regime.

Ahmar acusa Saleh de arrastar o país para uma "guerra civil". "Ali Abdullah Saleh deve partir", afirmou o dissidente. "Esse homem nos atacou nas nossas casas. Nós não começamos essa guerra. Esse homem não deseja nada bom para o Iêmen". Segundo analistas políticos, Ahmar e seus aliados têm ligações tribais com metade dos militares e das forças de segurança do Iêmen. Ele poderá invocar o "nakf", ou "o chamado", no dialeto local, o que significa que os beduínos precisam deixar de lado outras disputas e se unirem para defender a tribo Ahmar.

O Ministério da Defesa afirmou hoje que Saleh pediu a prisão de Ahmar e de seus nove irmãos, todos acusados por "rebelião armada". Saleh, que nas últimas semanas chegou a aceitar acordos mediados por países do Golfo Pérsico para deixar o poder, recusa-se a largar a presidência.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu hoje uma trégua nos conflitos. "Estamos bastante preocupados com os confrontos em andamento", afirmou Hillary em Paris. "Pedimos a todos os lados que parem imediatamente com a violência". As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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