Sobe para 589 número de mortos no terremoto no oeste da China

Tremor de 7,1 graus atingiu província de Qinghai; autoridades estimam cerca de 10 mil feridos

estadão.com.br

14 de abril de 2010 | 16h20

 

PEQUIM- Uma série de fortes terremotos atingiu nesta terça-feira, 13, a província oeste de Qinghai, na China, segundo a Agência de Terremotos do país, deixando um saldo de 589 mortos e dez mil feridos até o momento, de acordo com a agência Xinhua.

 

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O primeiro tremor, de magnitude 7,1, atingiu o sul de Qinghai, próximo ao Tibete, às 7h49 da manhã desta quarta-feira (hora local), e foi seguido de cinco outros tremores na hora seguinte, sendo apenas um de magnitude superior a 5. O governo estima que 85% das contruções como casas, escritórios e escolas ficaram destruídas.

 

O epicentro atingiu o vilarejo de Rima. Segundo as autoridades locais, trata-se de uma região de pastos, com baixa densidade populacional, a 50 quilômetros de Jiegu, onde fica o governo de Yushu. A capital da província, Xining, fica a 800 quilômetros de distância. O Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) registrou o primeiro sismo com 6,9 graus de magnitude.

 

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, 85% das casas e 70% das escolas de Yushu foram destruídas. Em uma das escolas, havia entre 30 e 40 pessoas soterradas, que equipes de resgate tentavam com dificuldade retirar dos escombros e pelo menos 56 estudantes morreram. "Nossa maior prioridade é salvar os estudantes. Escolas sempre são lugares onde há muitas pessoas", afirmou Kang Zifu, militar que participa das operações de resgate.

 

"A situação aqui está difícil. A maioria das construções entraram em colapso. Há muita gente em estado grave", disse Pu Wu, diretor de um projeto que ensina cuidados médicos em comunidades tibetanas. "Estamos assustados e acampando fora de casa enquanto as barracas chegam", disse ele à agência estatal. 

 

Uma das testemunhas disse que os hospitais enfrentam sérias dificuldades porque não há médicos o suficiente e os que estão nos centros de atendimento não dispõem de injeções e dos medicamentos necessários. Durante a noite, 3.600 feridos estavam recebendo tratamento, de acordo com as autoridades locais. A organização Médicos Sem Fronteiras anunciou o envio de três médicos para avaliar a situação em Yushu, mas eles só conseguirão chegar ao local no sábado.

 

"Vejo pessoas feridas em todo lugar. O maior problema no momento é falta de abrigo, materiais hospitalares, remédios e médicos", afirmou Zhuohuaxia, um morador local à agência de notícias Xinhua.

"Nós temos que usar principalmente as nossas mãos para limpar os desabamentos, já que não temos grandes máquinas escavadeiras", disse à Xinhua um policial da equipe de resgate chamado Shi Huajie.

 

O terremoto também derrubou templos, provocou deslizamentos de terra, interrompeu estradas e afetou o fornecimento de energia. A operação de resgate foi comprometida por 18 tremores secundários que ocorreram ao longo do dia, o mais forte dos quais atingiu 6,3 graus na escala Richter.

 

Resgate

 

O presidente da China, Hu Jintao, já anunciou que enviará o vice-primeiro-ministro para supervisar os trabalhos de resgate e outros 5 mil soldados, médicos e outros profissionais par ajudar os 700 militares que iniciaram as buscas, segundo a Xinhua. As autoridades também anunciaram um fundo imediato de aproximadamente US$ 30 milhões para ajudar a região afetada.

 

O governo provincial prometeu o envio de 5 mil barracas e 100 mil cobertores para as vítimas do terremoto. A região fica a 4 mil metros acima do nível do mar e sofre com baixíssimas temperaturas durante a noite.

 

Os militares chineses são considerados preparados para desastres como o desta quarta-feira, mas a região onde ocorreu se mostra um obstáculo a mais para os trabalhos de resgate. Yushu fica 4 mil metros acima do nível do mar, em uma região montanhosa de difícil acesso. O único aeroporto da área ficou parcialmente destruído, e parte dos militares deslocados para o local trabalham para restaurá-lo.

 

2008 

Há dois anos, em maio de 2008, a província chinesa de Sichuan sofreu um forte terremoto, que causou a morte de 87 mil pessoas. Entre as vítimas estavam milhares de estudantes de escolas primárias. Cinco milhões de pessoas perderam suas casas na ocasião e as autoridades estimaram que o trabalho de reconstrução levaria três anos.

 

Aquele terremoto atingiu diversas escolas, matando milhares de estudantes. Construção de má qualidade e aplicação negligente dos códigos de construção vigentes agravaram a situação e causaram mais mortes.

 

A China estimou em 5.335 o número oficial de crianças em idade escolar que morreram ou desapareceram por causa do terremoto do ano passado na província de Sichuan. A cifra é bem inferior ao número compilado pela imprensa na época.

 

Dias depois do desastre, as áreas mais baixas devastadas pelo tremor foram atingidas por enchentes, formadas por águas torrenciais vindas do Lago Tangjiashan. A situação tornou-se preocupante, obrigando o governo chinês a retirar 250 mil pessoas da área e a canalizar a água às pressas para evitar mais inundações.

 

Outro terremoto foi registrado na região em agosto, danificando 258 mil casas e matando pelo menos 32 pessoas. Na época, a agência oficial chinesa Nova China informou que os prejuízos diretos causados pelo tremor tinham sido estimados entre US$ 58 bilhões e US$ 73 bilhões.

 

 

Com informações das agências EFE, Reuters, AP e e Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo

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