Sobe para 81 total de mortos em explosão no Paquistão

Uma população enfurecida pede proteção ao governo paquistanês um dia após uma investida contra muçulmanos xiitas, na cidade de Quetta, ao sudeste do Paquistão, deixar 81 pessoas mortas, ação vista por uma autoridade local como sinal de que os agentes de segurança estão assustados demais para realizar seus trabalhos.

AE, Agência Estado

17 de fevereiro de 2013 | 10h28

A explosão de uma bomba no sábado em uma feira popular feriu ainda outras 160 pessoas e expôs a precariedade da situação para os xiitas vivendo em um país de maioria sunita e onde grande parte dos grupos extremistas os consideram não muçulmanos.

A maioria dos mortos e feridos são do grupo étnico xiita Hazara, que migrou do Afeganistão há mais de um século e nos últimos anos tem sido alvo de perseguição do grupo militante sunita Laskher-e-Jhangvi.

No local da explosão, membros da comunidade Hazara ajudavam as autoridades nas buscas por corpos e sobreviventes. Os esforços ficaram concentrados em dois prédios históricos que foram completamente destruídos. Mais de 20 lojas nas redondezas também foram atingidas.

Na estrada que dava acesso ao bairro atingido, jovens queimavam pneus e gritavam pela prisão dos responsáveis pelas mortes. Um grupo de xiitas também realizou uma manifestação pacífica pedindo a imediata retirada do principal secretário da província de Baluquistão, onde está localizada a cidade de Quetta, e do chefe de política local, disse Rahim Jaffery, que comanda a organização xiita chamada Council for the Protection of Mourning.

"Estamos pedindo que a proteção da cidade seja passada para o exército para que se dê um fim às mortes dos Hazara", disse.

Funeral

Um funeral coletivo para as vítimas estava planejado para a tarde de domingo, mas os grupos xiitas estavam reunidos para decidir se farão um protesto similar ao feito em janeiro, quando se recusaram a enterrar os mortos por quatro dias. O protesto levou o primeiro-ministro a retirar o então secretário da província e todo o seu gabinete, deixando o governador Zulfiqar Magsi responsável diretamente pela região - um movimento que muitos xiitas acreditavam que ajudaria a proteger a comunidade.

Mas os comentários do governador revelaram sua frustração com a crescente dificuldade do trabalho na região. Magsi disse que a explosão foi resultado de uma falha das agências de segurança e inteligência da província. "As autoridades e os funcionários dessas instituições estão assustados (com os terroristas). Dessa forma, não estão agindo contra eles", disse em comentário para uma rede de televisão local. O grupo Lashkar-e-Jhangvi assumiu a responsabilidade pelo ataque em ligação para uma rede de televisão local.

No último ano, mais de 400 pessoas foram mortas em ataques ao redor do país, segundo o Observatório de Direitos Humanos, sendo mais de 125 na província de Baluquistão. O Observatório acusa o governo de não oferecer proteção suficiente aos xiitas. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
explosãoPaquistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.