Soberania sobre as Malvinas vai a referendo

Moradores das ilhas definirão o futuro do arquipélago em votação no ano que vem

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h04

O presidente da Assembleia Legislativa das Malvinas (Falkland, para os britânicos), Gavin Short, anunciou ontem que os kelpers - os moradores do arquipélago - votarão no primeiro semestre de 2013 em um referendo sobre o "status político" das ilhas. Gavin disse que o objetivo é "enviar uma mensagem à Argentina" sobre a soberania do arquipélago "e sobre o fato de que os ilhéus querem continuar sendo britânicos".

Segundo Short, "sem dúvida alguma o povo das Malvinas quer que as ilhas permaneçam como um território de ultramar da Grã-Bretanha. "Não desejamos ser comandados pelo governo de Buenos Aires, algo que é imediatamente óbvio para qualquer pessoa que tenha visitado as ilhas ou ouvido nossos pontos de vista", disse. As Malvinas são reivindicadas pela Argentina desde a conquista britânica, em 1833.

Depois do anúncio do projeto de referendo por parte dos kelpers, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, indicou que a Grã-Bretanha "respeitará e defenderá" o resultado da votação. Cameron também pediu que a ONU respeite o resultado da consulta popular nas ilhas.

Desde a volta da democracia, em 1983, os diversos governos argentinos reivindicaram constantemente a posse das Malvinas. No entanto, desde 2010, o governo da presidente Cristina Kirchner intensificou as queixas no âmbito diplomático internacional, coincidindo com a descoberta de petróleo na plataforma marítima das Malvinas.

Esforço diplomático. A presidente aumentou os decibéis das reivindicações durante as comemorações dos 30 anos da Guerra das Malvinas (1982). Amanhã, durante seu discurso no Comitê de Descolonização da ONU, em Nova York, Cristina exigirá novamente que a Grã-Bretanha aceite discutir a soberania das ilhas.

O governo Cameron, nos últimos meses, deixou claro em diversas ocasiões que só conversará com a Argentina sobre as Malvinas se os kelpers concordarem com isso. O governo Kirchner afirma que a conversa somente ocorrerá entre Buenos Aires e Londres, sem passar pelos kelpers. O discurso de Cristina coincidirá com o 30.º aniversário da rendição argentina na Guerra das Malvinas.

De acordo com o jornal Penguin News, de Port Stanley, capital das Malvinas, jovens kelpers pretendem viajar a Nova York para dizer a Cristina que desejam continuar sendo britânicos. A maioria dos integrantes do grupo nasceu depois da guerra de 1982.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.