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Sobre o que Donald Trump e Vladimir Putin falaram a sós?

Eles têm a mesma visão nacionalista, desejam enfraquecer as mesmas instituições, apoiam os mesmos partidos europeus de extrema direita, o Brexit e tudo aquilo que desafie a ordem liberal do pós-Guerra

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2018 | 03h00

Ninguém sabe o que Donald Trump e Vladimir Putin acertaram na conversa de 90 minutos a sós em Helsinque na semana passada – exceto os intérpretes. Até o final da semana, os diplomatas americanos continuavam no escuro, sem ter ideia do que ambos haviam tratado. Democratas consideravam até convocar a intérprete Marina Gross para depor no Congresso, tamanho o mal-estar suscitado.

O silêncio do Departamento de Estado foi rompido pela Casa Branca, ao desmentir que Trump poderia permitir a policiais russos interrogar o ex-embaixador em Moscou Michael McFaul. Alvo de propaganda difamatória de Putin, McFaul esteve envolvido na imposição de sanções a oligarcas russos, sob o incentivo do investidor Bill Browder (uma espécie de inimigo número um de Putin). Browder e as sanções foram temas de contatos de russos com a campanha de Trump, segundo as investigações.

Talvez, o namoro Trump-Putin tenha explicação mais simples. “Não foi um encontro de adversários. Foi um encontro de aliados, com interesses convergentes e objetivos comuns”, diz Robert Kagan, da Brookings Institution. Eles têm a mesma visão nacionalista, desejam enfraquecer as mesmas instituições (Otan e UE), apoiam os mesmos partidos europeus de extrema direita, o Brexit e tudo aquilo que desafie a ordem liberal do pós-Guerra. 

Para Putin, isso importa mais que Síria, Ucrânia, Browder ou McFaul. É uma agenda contrária à da diplomacia americana, mas apoiada com entusiasmo por Trump.

O efeito de Putin na economia russa

Quando Putin assumiu o poder, no início do ano 2000, o setor privado respondia por 89% do PIB russo. De acordo com os números mais recentes, hoje o setor público predomina, com 71% do PIB. Apesar do desemprego em torno de 5% e da inflação baixa, 2,5% ao ano, mais da metade dos russos diz viver na pobreza.

Lei israelense mina relação com a diáspora

De valor mais simbólico, a nova lei que definiu Israel como “Estado-nação do povo judeu” não representa mudança na vida prática de israelenses ou palestinos. Mas tem impacto imediato na relação com os judeus da diáspora. O texto aprovado afirma que o Estado atuará em defesa deles no exterior, mas não em Israel. Foi uma concessão a partidos religiosos, interessados em manter o monopólio sobre temas como casamento ou acesso ao Muro das Lamentações. “Em vez de reforçar a ponte com a diáspora, Israel pôs mais explosivos embaixo dela”, diz o jurista Shuki Friedman, do Instituto para Democracia de Israel.

O Brexit pode ser revogado pela Justiça?

Depois de autoridades britânicas declararem que a campanha pelo Brexit violou a lei eleitoral, há um esforço para revogá-lo na Justiça. A iniciativa enfrenta duas dificuldades: 1) formalmente, o plebiscito foi convocado não para decidir, mas apenas para fornecer uma recomendação; 2) o resultado de um plebiscito nacional não está sujeito a determinações da Corte Eleitoral, como eleições comuns. “A revogação é uma decisão política, não jurídica”, diz o advogado Adam Wagner.

A presunção incurável de Mark Zuckerberg

Mark Zuckerberg até tentou voltar atrás depois de afirmar, em entrevista a Kara Swisher, ser contra apagar do Facebook conteúdo que nega o Holocausto (embora a favor de “reduzir a distribuição”). “Pessoalmente, considero o negacionismo profundamente ofensivo e não quis defender a intenção de quem nega”, disse. A opinião de Zuck sobre o assunto tem escassa relevância. Alguém precisa explicar a ele que a expressão desse tipo de ideia antissemita é regulada por lei. Em países da Europa e no Brasil, negacionismo e antissemitismo são proibidos. O papel de uma empresa privada, como o Facebook, é respeitar a lei.

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