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'Sobrevivemos à base de biscoitos', diz diplomata brasileiro em Honduras

Militares proíbem entrada ou saída de pessoas da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

24 de setembro de 2009 | 17h06

O isolamento imposto à embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, desde segunda-feira, devido à presença do presidente deposto Manuel Zelaya, vem causando uma série de desconfortos aos funcionários da casa, de acordo com o diplomata brasileiro Francisco Rezende Catunda.

"Sobrevivemos alguns dias à base de biscoitos, uma alimentação muito irregular. Hoje (quinta-feira) devemos ter nossa primeira refeição normal", disse ele por telefone à BBC Brasil.

"Não chego a dizer que passamos fome, mas a situação é bastante precária. Não temos roupas, sabonetes ou toalhas. Muitos aqui têm obrigações familiares e precisariam sair, mas estão sendo impedidos", disse.

O cerco à representação diplomática começou na segunda-feira. A entrada ou saída de pessoas está sendo controlada pelos militares que cercam o local.

Situação delicada

Na segunda-feira, milhares de simpatizantes de Zelaya foram à embaixada após sua chegada. Catunda diz calcular que cerca de 300 pessoas dormiram na embaixada nos primeiros dias.

O governo interino permitiu posteriormente a saída de alguns e, atualmente, o diplomata brasileiro diz que cerca de 50 ou 60 partidários do presidente, incluindo a esposa de Zelaya e outros parentes, estão na representação brasileira.

"Estes estão sendo alimentados pela ONU. É uma situação delicadíssima, apoiamos Zelaya, mas não temos condições de acomodar tanta gente", disse ele.

Catunda diz que dos 12 funcionários originalmente na embaixada, oito conseguiram permissão para sair. O diplomata afirma que as autorizações emitidas por ele para a entrada de pessoas no local não estão sendo respeitadas pelos militares.

"Eles não afirmam categoricamente que a entrada é proibida, simplesmente não respondem nada", disse ele.

Luz e água

Catunda diz que telefones, luz e água da embaixada chegaram a ser cortados no segundo dia (terça-feira) por algumas horas. Atualmente, a comunicação com o local é feita por meio de celulares ou internet.

O diplomata brasileiro diz esperar que a chegada nos próximos dias de uma delegação da OEA, incluindo o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza, ajude a normalizar a situação.

O Itamaraty, segundo ele, também vai enviar outros diplomatas ao local.

"Algo bom em tudo isso tem sido a postura de representações diplomáticas dos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e entidades como Unicef e ONU, que vem nos dando bastante apoio", diz ele. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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