Sobrevivência política move democratas

Deputados consideram a possibilidade de não ser reeleitos na hora de votar reforma da saúde

Zeff Zeleny, The New York Times, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

Na última etapa do debate sobre a reforma do sistema de saúde, uma pergunta óbvia que está sendo feita na capital é se a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, conseguirá os 216 votos para aprovar a lei. Para um grupo de democratas particularmente nervosos, a melhor pergunta pode ser esta: quem terá permissão para pular fora? Sim, a contagem de votos de undécima hora está em curso num ritmo alucinado nos escritórios do Congresso à Casa Branca, com Nancy e seus braços direitos mantendo contagens dos democratas oscilantes.

Mas à medida que a semana se arrastava e a tensão se acumulava consistentemente para a votação de domingo, os líderes do partido também começavam a decidir quais parlamentares politicamente em risco seriam absolvidos por votar contra.

Será o deputado Steve Driehaus de Ohio, que apoiava o projeto no ano passado, mas enfrenta uma ameaça à reeleição maior que a maioria de seus colegas? Ou Jason Altmire da Pensilvânia, que votou contra no ano passado e está sendo assediado por adversários da reforma da saúde em seu distrito conservador onde o presidente Barack Obama perdeu em 2008? Ou Bill Owens de Nova York, que entrou no Congresso no ano passado numa eleição especial e ocupa uma cadeira que os republicanos estão avidamente tentando recuperar? Evidentemente, são muito poucos os votos dispensáveis. Mas há alguns.

E mesmo a maioria dos líderes republicanos admite que o mistério não é tanto se os democratas alcançarão o número mágico de 216, mas sim os nomes que serão incluídos nos votos de aprovação na contagem final. "Cada voto aqui pesa", disse Nancy a jornalistas na quinta-feira.

Essa questão foi salientada repetidamente na última semana quando os parlamentares em cima do muro tomavam suas decisões. A coisa se tornou de tal forma um jogo voto a voto que a Casa Branca começou a enviar alertas a jornalistas toda vez que um democrata concordava em apoiar a lei. Mas cada desdobramento tem, de fato, um significado maior.

E com cada adição na coluna do sim, outro democrata potencialmente obtém uma dispensa. O deputado Bart Gordon do Tennessee, que era firmemente contrário à legislação, anunciou na quinta-feira que apoiará a lei. Gordon vai se aposentar este ano, por isso seu voto não significa necessariamente que os democratas obterão 217 votos, mas sim que poderão liberar algum outro democrata.

Há uma ordem de importância para parlamentares vulneráveis que ajuda a determinar o grau de pressão a que estão expostos. Quem venceu por margem mais estreita? Quais distritos têm populações negras menores, um voto tradicionalmente confiável? Em meio à campanha, Obama conversou com quase três dezenas de deputados desde segunda-feira.

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