REUTERS/Olivia Harris
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Sobrevivente de ataque do Taleban, Malala pede 'cessar-fogo' e ajuda humanitária ao Afeganistão

'Estou profundamente preocupado com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos', escreveu a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2014

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2021 | 13h28

Sobrevivente de um ataque do Taleban, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2014, Malala Yousafzai, disse estar "em choque" com a ofensiva do grupo radical no Afeganistão e convocou as potências globais a "exigir um cessar-fogo imediato" no país.

Pelo Twitter, a ativista se disse "profundamente preocupada" com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos.

"Assistimos em completo choque enquanto o Taleban assume o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupado com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos. As potências globais, regionais e locais devem exigir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis", escreveu a paquistanesa.

Vinte anos após ser deposto por uma coalizão liderada pelos EUA, o grupo radical islâmico Taleban reassumiu no domingo, 15, o poder no Afeganistão, em uma rápida ofensiva que começou no início da semana passada e quase não encontrou resistência.

Sobrevivente

Em 9 de outubro de 2012, Malala, na época com 15 anos, foi alvo de um ataque a tiros por membros do Taleban. Ela e outras meninas estavam em um ônibus e voltavam para casa após mais um dia de aula. A jovem era defensora do direito à educação para as meninas.

Em 2009, quando tinha 11 anos, a menina escreveu um blog, sob o pseudônimo de Gul Makai, na página da BBC denunciando o abuso dos talebans, que controlavam a região de Swat, onde ela vivia, no noroeste do Paquistão. "Ela não é uma menina valente, não tem valor. Inclusive utilizou um nome falso em seu blog", disse Shahid, segundo a AFP.

A educação de mulheres é algo proibido pelo regime do Taleban.

Baleada na cabeça, Malala sobreviveu ao atentado. Ela foi retirada do país com sua família e levada ao Reino Unido. Os médicos retiraram a bala de seu cérebro e, depois de se recuperar, ela voltou à escola, terminou o colegial e começou a cursar filosofia, política e economia na Universidade de Oxford.

Um ano depois, o grupo terrorista voltou a ameaçar a ativista por ela falar "contra o Islã". "Voltaremos a atacá-la assim que tivermos a oportunidade", afirmou Shahidullah Shahid à AFP. "Atacamos a Malala porque ela falava contra os talebans e o Islã e não porque ia ao colégio."

Hoje, Malala é uma das principais ativistas mundiais que defendem o direito de todas as meninas à educação. 

 

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