Sobrevivente de Parkland diz não ser herói e vai processar xerife

De família venezuelana, Anthony Borges passou quase dois meses no hospital após levar cinco tiros em massacre em sua escola na Flórida, em fevereiro; família diz que xerife poderia ter impedido atirador de comprar armas e entrar na escola

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 05h00

MIAMI, EUA - Nascido americano de família venezuelana, Anthony Borges, de 15 anos, recebeu cinco tiros durante o massacre em sua escola em Parkland, na Flórida, em fevereiro, e vem sendo chamado de Iron Man por ter salvado colegas. Fora do hospital, pediu na última sexta-feira que não o chamem de herói. Disse também que irá processar as autoridades pelo atentado.

Em 14 de fevereiro, o aluno Nikolas Cruz, que matou 17 pessoas na escola Marjory Stoneman Douglas, atingiu Anthony primeiro com três tiros – nas pernas e no ombro. Mesmo ferido, Anthony conseguiu fechar a porta de uma sala onde se escondiam cerca de 20 estudantes e ali tomou mais dois tiros.

“Não sei por que sobrevivi, mas eu e minha família dedicaremos o restante de nossas vidas para que algo como isso não ocorra de novo”, disse Anthony em um comunicado lido por seu advogado. Em encontro com a imprensa ao norte de Miami, o aluno estava ao lado do pai, Royer Borges, do avô, Alfredo, e de um amigo.

Anthony entrou na sala em cadeira de rodas, com uma perna elevada. Após ter passado por nove cirurgias em sete semanas no hospital, ainda não se sentia forte para falar. Pelo comunicado, disse: “Não quero ser chamado de Iron Man. Não sou isso. Sou apenas um menino que quer voltar à escola sem medo.”

Anthony acusou o xerife do condado de Broward (a que pertence Parkland), Scott Israel, e o superintendente de escolas, Robert Runcie, de não terem impedido que Nikolas comprasse armas e entrasse na escola, apesar de ele já ter mostrado um comportamento errático. “Vocês sabiam que havia um problema e não fizeram nada.”

O advogado informou que a família processaria o xerife e o superintendente, além do atirador. / AFP

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