Sobrevivente do WTC fica ferido no atentado em Israel

Entre os feridos do atentado deste domingo em Jerusalém Ocidental, estão o nova-iorquino Mark Sokolov, sua mulher e duas filhas. Sokolov é um sobrevivente dos ataques de 11 de setembro contra as torres do World Trade Center, em Nova York. Naquela ocasião, ele estava no 36º andar da torre sul quando um avião seqüestrado atingiu a torre norte. Seu escritório foi esvaziado a ele saiu ileso da torre sul antes que ela fosse atingida por outro avião. "É óbvio que tive bastante sorte daquela vez. Agora, isto envolveu toda minha família", disse. Comerciantes da rua Jaffa, em Jerusalém, dizem que levam a vida nas mãos cada vez que vão trabalhar no bairro mais atacado de Jerusalém. Pelo menos sete atentados em cinco meses deixaram 30 mortos e mais de 120 feridos nessa rua ou nas proximidades. Muita gente evita arriscar-se e fica longe da área. "Esta foi a sétima explosão que testemunhei nesta área, e foi a maior", disse Eytan Ben-Shlomo, que trabalha numa pizzaria próxima. O atentado deste domingo ocorreu perto da pizzaria Sbarro, onde 16 pessoas foram mortas por um militante suicida em agosto - entre elas o brasileiro Jorge Balazs, que tinha ido a Israel para assistir ao casamento de um filho. Na semana passada, um pistoleiro palestino abriu fogo do outro lado da rua e matou duas mulheres. Numa esquina próxima, um duplo atentado suicida deixou 11 mortos em dezembro. "Ouvi uma grande explosão, as janelas se despedaçaram e fiz o que sempre faço: fechei a loja e liguei para minha família", afirmou o comerciante David Mehrabban sobre o atentado de hoje. Rick Bentley, um turista norte-americano de Indianápolis, ficou impressionado ao ver o autocontrole com que as pessoas reagiram ao ataque. "Assim que ocorreu a explosão, as pessoas pegaram seus telefones celulares e, depois de poucos minutos, estavam de volta ao trabalho", assinalou. "É impressionante ver como as pessoas simplesmente seguem adiante." Num salão a 50 metros do local da explosão, cabeleireiros voltaram a concentrar-se nos penteados que estavam fazendo, enquanto, do lado de fora, funcionários municipais ainda recolhiam estilhaços. O dr. Yehuda Funes estava fazendo uma cirurgia num hospital quando ouviu a explosão. Ele suspendeu a operação e correu para ver sua filha, que trabalha numa loja de roupas na área. Como a polícia não o deixou aproximar-se da loja, ele correu de volta ao hospital para tratar dos feridos. Sua filha, Sarit Funes-Cohen, escapou ilesa. "Apesar da natureza intolerável de nossa existência, não podemos fugir", disse o médico. "Essa não é a solução." Já outra comerciante da área, Nava Pereg, cuja loja teve as janelas quebradas pelo atentado, afirmou: "Não posso continuar assim. Demos tudo aos palestinos. Precisamos romper completamente com eles." O dono de sapataria Yaakov Hanafab disse que o movimento na loja caiu 90% nos últimos meses. "Estou pensando em fechar."

Agencia Estado,

27 Janeiro 2002 | 21h21

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