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Sobrevivente é achada em prédio que desabou em Bangladesh

Tragédia matou 1.038 pessoas; mulher ficou 16 dias em vão entre uma viga e uma coluna

O Estado de S. Paulo,

10 de maio de 2013 | 11h13

DACA - Equipes de resgate de Bangladesh encontraram uma mulher viva em meio aos escombros do prédio que desabou no dia 24 de abril, matando mais de mil pessoas. Ela estava em um vão entre uma viga e uma coluna.

Segundo o chefe dos bombeiros, Ahmed Ali, a mulher devia "ter reservas de água ou ter bebido a água que jogamos dentro do prédio". Um dos integrantes da equipe disse que ela gritou por socorro.

Grupos de trabalhadores ainda retiram os escombros do Rana Plaza, edifício de oito andares que ruiu 16 dias atrás. "Na medida em que retiramos os escombros, perguntamos se alguém estava vivo", informou um integrante do resgate à emissora de televisão privada Somoy. "Então, nós ouvimos ela dizer ''por favor me salvem, por favor, me salvem'."

Reshma é uma costureira e sobreviveu comendo alimentos desidratados que estavam no local e bebendo pequenos goles de água que tinha com ela. Ela foi encontrada no segundo dos oito andares do Rana Plaza, onde as equipes de resgate estão concentradas em encontrar corpos, e não sobreviventes, nas duas últimas semanas.

"Eu ouvia as vozes dos membros das equipes de resgate nos últimos dias. Eu fiquei batendo nos escombros com paus para atrair sua atenção", disse ela à Somoy, da cama do hospital enquanto médicos e enfermeiras verificavam seu estado de saúde.

"Ninguém me ouvia. Isso era muito ruim. Eu pensei que jamais fosse ver a luz do dia novamente", declarou. "Havia alguns alimentos desidratados por perto. Eu comi esses alimentos durante 15 dias. Nos últimos 2, eu não comi nada, apenas tomei água, que eu ingeria de forma limitada, para poupar. Havia algumas garrafas de água por perto."

Assim que Reshma foi notada, as equipes pararam imediatamente os guindastes e escavadeiras e passaram a usar serras e equipamentos menores para cortar as barras de ferro e os escombros que estavam por cima dela. Durante o resgate, ela recebeu água, oxigênio e soro.

Quando Reshma foi finalmente retirada, 40 minutos depois de ser encontrada, uma multidão a saudou com gritos. Ela foi levada às pressas para um hospital militar, mas os trabalhadores disseram que seu estado de saúde é surpreendentemente bom.

Reshma disse às pessoas que a resgataram que não há mais sobreviventes naquela área. De qualquer forma, as equipes de resgate passaram a escavar o local, na expectativa de encontrar mais pessoas vivas.  "Reshma me disse que havia outras pessoas com ela, que morreram. Ela não viu mais ninguém vivo por lá", disse o major-general Chowdhury Hasan Suhrawardy, chefe das unidades militares locais. "Vamos continuar as buscas até encontrarmos um sobrevivente ou um corpo."

O número de mortos por causa do desabamento chegou a 1.038 nesta sexta-feira, 10. Segundo o general brigadeiro Alam Shikder, oficial militar responsável pelas operações, os corpos recuperados estão muito decompostos e a identificação é difícil. "Estamos trabalhando com cautela", disse ele. "Se conseguirmos uma identificação ou telefone celular com eles, ainda podemos identificá-los. Nossos esforços são de pelo menos entregar os corpos aos familiares."

O general brigadeiro Azmal Kabir, oficial da engenharia militar, disse que mais da metade das estimadas 7 mil toneladas de escombros já foi removida do local, mas afirmou não saber quando o trabalho será concluído. / AP

Veja como foi o resgate de Reshma:

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