REUTERS/Remo Casilli
REUTERS/Remo Casilli

Sobrevivente oferece vinho à equipe de busca

Pedaços de mármore caíram sobre idoso, mas ele se salvou porque colchão em que estava se dobrou ‘como um livro'

O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2016 | 23h03

ACCUMOLI, ITÁLIA - “Não acredito que conseguiram salvar minha vida, quando tudo isso tiver passado, venham me ver e tomaremos um vinho juntos.” Essa foi a primeira reação de Luciano Perri, de 65 anos, após ser resgatado dos escombros de sua casa em Accumoli, na Itália, por um grupo de socorristas. 

Perri foi um dos poucos desaparecidos resgatados com vida, ontem de manhã, em Accumoli, uma das cidades mais danificadas pelo devastador terremoto que deixou mais de 150 mortos no centro do país. 

O chefe da equipe de buscas, Mauro Guiducci, explicou que, no momento do tremor, Perri estava deitado em sua cama e o colchão “dobrou como um livro, o que o protegeu” dos escombros. “Foi um milagre”, concluiu. “Quando o encontramos, não podíamos acreditar. Havia pedaços inteiros de mármore que caíram sobre ele sem o machucar”, acrescentou. 

Em outro caso de sobrevivente, uma menina de 10 anos foi resgatada com vida e em boas condições depois de passar mais de 16 horas sob os escombros de uma casa completamente destruída em Pescara del Tronto. Os jornais italianos explicaram que, após várias horas de remoção de escombros, o resgate pôde salvar a menina, o que foi celebrado com muitos aplausos. 

No entanto, na mesma casa, poucos minutos mais tarde, foi recuperado o corpo de uma outra menina, já sem vida. Os jornais italianos também relataram a história de uma menina de 7 anos, Andrea Serafini, que foi resgatada com vida, mas morreu enquanto era transferida de helicóptero para Roma. Seu irmão gêmeo, que estava com ela, foi socorrido com vida, e seu estado de saúde ontem considerado era gravíssimo. 

Sobrevivente em 2009 escapa de novo tremor

Em Arquata del Tronto, uma triste coincidência. Após sobreviver ao terremoto de Áquila, em 2009, Martina Turco novamente conseguiu escapar com vida após passar por um episódio semelhante. Martina e o marido, Massimiliano, foram resgatados após passar horas debaixo dos escombros e levados para o hospital. 

No entanto, desta vez, a história de Martina não teve um final feliz. Ela perdeu a filha, Marisol Piermarini, uma bebê de apenas 18 meses. Um dos avós, Massimo Piermarini, viajou até Arquata após saber do terremoto. Ele tentou ajudar nas operações de resgate, mas não teve permissão. 

Pai viaja para tirar filhos dos escombros 

Outro pai, que não foi identificado, ao saber, em Roma, do terremoto, dirigiu de madrugada até Pescara, onde se encontravam seus dois filhos, que estavam de férias. Juntamente com os bombeiros, ele foi tirando pedra por pedra até encontrar as crianças. Uma delas estava ilesa, a outra, com pequenos arranhões. 

Ainda em Pescara del Tronto, Samuele e Leone, de 4 e 6 anos, respectivamente, foram salvos pela avó. Ela acordou com os primeiros tremores e fez com que os meninos se abrigassem debaixo da cama. A avó continuava ontem presa nos escombros, mas conversava com os bombeiros. / EFE, ANSA e AP

 

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