Sobreviventes de sequestro narram horas de terror

Primeiros estrangeiros libertados em In Amenas começam a chegar à Europa e contam como escaparam da morte

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2013 | 02h05

Os primeiros estrangeiros sequestrados por islamistas radicais na usina de In Amenas, na Argélia, começaram a chegar ontem a seus países. Eles narram 40 horas de terror em que ficaram sob ameaça constante, alguns amarrados a explosivos, que teriam sido detonados. Além de contar o drama humano, os relatos ajudam a entender o que ainda se passa na região.

A maior parte dos relatos foi feito sob condição de anonimato. O nutricionista francês Alexandre Berceaux foi uma exceção. "Ouvi som de tiros. O alarme que nos adverte para permanecer no lugar em que estamos soou e nos organizamos. Mas eu não sabia se era um exercício ou verdade e fiquei escondido por quase 40 horas debaixo da minha cama", disse ele à France Télévision. "Eu tinha um pouco de comida e um pouco para beber. Não sabia quanto tempo isso duraria. Estava completamente isolado."

O francês disse ainda que as trocas de disparos eram intermitentes entre jihadistas e soldados da Argélia. "Havia muitos tiros, às vezes, mas dependia do momento", contou. "Tenho vontade de agradecer a todas as forças que nos permitiram sair de lá."

Outras histórias indicavam dramas ainda maiores. Por telefone, o britânico Stephen McFaul disse à família ter escapado da morte durante a tentativa de fuga dos extremistas, na tarde de quinta-feira. McFaul estava no último veículo de um comboio de cinco viaturas armadas, nas quais os jihadistas tentaram fugir com reféns. Durante a fuga, os três primeiros carros foram interceptados. O quarto acabou explodindo, enquanto o seu escapou ileso. À família, ele disse estar "bem", em um local "seguro e desmilitarizado", segundo seu irmão, Brian.

Entre os que preferiram o anonimato, muitos agradeciam as autoridades argelinas pela libertação - apesar das críticas da comunidade internacional. "Agora está tudo bem. Obrigado ao Exército e aos serviços de socorro que nos ajudaram. Tivemos sorte. Estamos vivos", disse um deles, ouvido em um ônibus que transportava vários reféns libertados para um local seguro. "Os soldados fizeram um ótimo trabalho. Estou triste pelos mortos, mas muito feliz por estar vivo."

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