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Sobreviventes deitaram no chão e tentaram se abrigar em banheiro

Jovens descrevem momentos de tensão desde a entrada do atirador no local até a chegada dos policiais

Peter Holley - THE WASHINGTON POST, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 08h09

As pessoas estavam terminando os drinques e acertando caronas para ir para casa. Eram centenas de jovens que participavam da noite latina, com música de salsa e merengue. Às 2h, a animada festa da Pulse, uma das mais populares casas noturnas LGBT do centro da Flórida, chegava ao fim.

“De repente, começou um barulho como de fogos de artifício”, disse o DJ Ray Rivera. “Abaixei o som. O ruído parou por um segundo e recomeçou. Desliguei a música. Todo mundo já corria para tentar sair.”

Um atirador disparava com um fuzil, derrubando frequentadores em pânico que procuravam saídas, tentavam se esconder ou se jogavam no chão. Testemunhas disseram que as pessoas passavam por cima de vivos e mortos na luta para sobreviver. “Era o caos”, disse Rivera.

Como estava perto de uma das saídas, o DJ foi um dos sobreviventes, mas 50 não saíram vivos do local. Quando começaram os tiros, a Pulse postou em sua conta no Facebook: “Saiam todos e corram”. O atirador foi identificado como Omar Mateen, de 29 anos. “Parecia bem preparado e organizado”, disse o chefe de polícia de Orlando, John Mina. 

A boate tem dois salões principais, um para performances de drag queens e shows e outro para dançar. “É um lugar muito pequeno”, disse Choy. “Isso me preocupava. Num incidente como o tiroteio, não há para onde correr.” 

Jon Alamo estava na parte de trás do clube quando Mateen apareceu. “Aí escutei 20, 40, 50 tiros. A música parou.”Christopher Hansen, frequentador, disse que quando os tiros começaram jogou-se no chão e conseguiu fugir. “Quando saía, havia sangue por todo lado. Alguém estava caído em meu caminho, não sabia se vivo ou morto. Tirei a bandana da cabeça e enfiei no buraco de bala que ele tinha nas costas.”

Ele contou que mesmo depois de todos saírem, os tiros continuaram. “Policiais gritavam ‘vai, vai, limpem a área’”. Segundo as autoridades, um policial que trabalhava na boate trocou tiros com Mateen. 

Quando as notícias se espalharam, amigos e parentes de frequentadores começaram uma busca desesperada por informações. Mina Justice tentava encontrar o filho, Eddie. Ele havia mandado uma mensagem de texto dizendo que tinha corrido para um banheiro, com outros, procurando se esconder do atirador. “Ele está chegando”, continuou. A seguinte dizia: “Está aqui. Nos pegou”. Foi a última mensagem.

Para membros da comunidade LGBT do centro da Flórida e funcionários da Pulse, o clube era mais do que um lugar para dançar, era um lugar para se sentir em família. “Todos que trabalhavam lá eram tratados como irmãos e irmãs”, disse o dançarino Di’Costa. 

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