JANEK SKARZYNSKI / AFP
JANEK SKARZYNSKI / AFP

Sobreviventes do Holocausto voltam a Auschwitz 75 anos depois

‘Queremos que a próxima geração saiba o que vivemos e que isso não aconteça nunca mais’, disse homem de 93 anos que foi vítima do Nazismo  

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 09h56

Depois de 75 anos, sobreviventes do Holocausto retornam a Auschwitz nesta segunda-feira, 27, para homenagear a memória das mais de 1,1 milhão de vítimas executadas na prisão nazista, em sua maioria judeus. O encontro também tem como objetivo lançar um alerta ao mundo frente ao ressurgimento do antissemitismo.  

Vindos do mundo inteiro, cerca de 200 sobreviventes chegam ao antigo campo de concentração nazista de Auschwitz, no sul da Polônia. Lá, eles compartilharão seus testemunhos no intuito de chamar atenção para a recente onda de ataques antissemitas pelo mundo - alguns letais.

Com gorros e lenços listrados de azul e branco, simbolizando os uniformes dos prisioneiros no campo, eles atravessaram com tristeza o célebre portal de ferro com a inscrição Arbeit macht frei ("O trabalho liberta", em tradução livre do alemão para o português). Acompanhados do presidente polonês, Andrzej Duda, os sobreviventes depositaram coroas de flores perto do "muro da morte", onde os nazistas mataram milhares de pessoas.

"Queremos que a próxima geração saiba o que nós vivemos e que isso não aconteça nunca mais", declarou com a voz embargada pela emoção o sobrevivente de Auschwitz David Marks, de 93 anos, antes de uma cerimônia na manhã de domingo.

Marks perdeu 35 membros da sua família de judeus romenos em Auschwitz, o maior dos campos de concentração instalados pela Alemanha nazista, símbolo dos seis milhões de judeus europeus mortos no Holocausto.

História 

A partir de meados de 1942, os nazistas deportaram sistematicamente judeus de toda a Europa para seis grandes campos de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka.

Para o evento desta segunda, os organizadores insistiram no fato de que a cerimônia comemorativa deve se concentrar no que os sobreviventes têm a dizer e não nas divergências políticas que marcaram os preparativos da data.

"Trata-se dos sobreviventes, não se trata de política", declarou Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial. "Observamos o impulso do antissemitismo, e não queremos que seu passado (o dos sobreviventes) seja o futuro de seus filhos ou netos", completou.

Chefes de Estado e de governo de quase 60 países assistirão à cerimônia de hoje, que contará com a ausência dos líderes das grandes potências mundiais. Estes últimos participaram, na última quinta-feira, de uma cerimônia semelhante em Jerusalém.

O presidente polonês, Andrzej Duda, recusou-se a ir a Jerusalém, depois de saber que não poderia fazer um pronunciamento junto com as demais autoridades. Já o presidente russo, Vladimir Putin, teve um papel de protagonismo. Em dezembro, ele havia causado indignação na Polônia e no Ocidente ao afirmar que o país foi conivente com o ditador Adolf Hitler, contribuindo para a deflagração da Segunda Guerra Mundial.

Duda deve discursar nesta segunda-feira.

 

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