AP Photo/Matt Dunham
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Sobreviventes do incêndio em Londres relatam momentos de desespero

Moradores viram pessoas agitando os braços na janela; autoridades afirmam que ao menos seis pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 08h28

LONDRES - "A última vez que os vi, eles agitavam os braços na janela". Hanan Wahabi, sobrevivente do terrível incêndio que destruiu um prédio de apartamentos de 24 andares nesta quarta-feira, 14, em Londres, continua sem notícias do irmão, da cunhada e dos sobrinhos.

A mulher de 39 anos, moradora do nono andar, foi acordada no início da madrugada pela fumaça. "Vi cinzas entrando pela janela da sala, que havia ficado aberta. Olhei e vi as chamas perto da janela. Fechei rapidamente e saí", conta. Ela deixou o apartamento com o marido, o filho de 16 anos e a filha de oito.

De pijama, com seu véu e enrolada em um cobertor, Hanan conseguiu salvar a família e encontrou refúgio em uma sala disponibilizada pelas autoridades para abrigar os sobreviventes.

Mas ela não consegue parar de pensar no irmão, Abdelaziz El-Wahabi, a mulher dele, Faouzia, e seus filhos, que moram há quase 16 anos no 21.º andar da torre construída em 1974. "Liguei para meu irmão quando saí para saber se estava bem. O fogo ainda não havia alcançado o topo do prédio. Ele disse que iriam descer. Depois ligamos novamente e disse que havia muita fumaça", explica Hanan.

"A última vez que o vi, agitava os braços na janela com a mulher e os filhos. Depois voltei a falar com sua mulher por telefone, enquanto ele falava com os bombeiros. Isto foi às 2h00 (locais). Desde então estou sem notícias, o telefone foi cortado.”

Hanan Wahabi contou que a torre passou por uma reforma em 2016, especialmente nas janelas e sistema de calefação. "Temo que o material utilizado tenha piorado as coisas", disse, antes de apertar a garganta. "A fumaça afeta muito, ainda dói.”

Eddie, de 55 anos, estava no 16.º andar quando o alarme de incêndio dos vizinhos foi acionado.  "Pensei que estavam cozinhando", conta. Mas depois ele ouviu as pessoas gritando "fogo, fogo', abriu a porta e "muita fumaça entrou no apartamento".

"Um vizinho do quinto andar ligou e disse: 'Rápido, saia daí'. Coloquei uma toalha na cabeça, desci as escadas e procurei a saída de emergência”, descreve ele. "Não a encontrei, mas um bombeiro me levou para a saída. Mais cinco segundos e estaria morto. Não se via nada.”

Eddie ficou feliz de ter escapado, mas ao mesmo tempo estava indignado. Há algum tempo escreveu em um blog que "seria necessário um incêndio catastrófico para que estas pessoas fossem consideradas responsáveis", em referência aos que alugam apartamentos.

Uma sobrecarga da rede de energia elétrica "quase nos matou em 2013", indicava em seu blog, no qual mencionou um "assassinato em massa" a ponto de ocorrer.

Outro morador da torre, Abdul Hamid, de 50 anos, contou que deveria viajar nesta quarta-feira à Arábia Saudita para a peregrinação à cidade sagrada de Meca.  "Estou bem, mas não me restou nada, nem passaporte, nem casa.”

Os bombeiros afirmaram que ao menos seis pessoas morreram no incêndio e cerca de 50 pessoas ficaram feridas, de acordo com os serviços de emergência. A Grenfell Tower foi construída em 1974 na área norte de Kensignton, perto do famoso bairro de Notting Hill. / AFP

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