Sobreviventes falam da tragédia do avião no Congo

Mais de 120 pessoas foram sugadas para fora de um avião de fabricação russa na República Democrática do Congo (ex-Zaire) devido à despressurização da cabine após a abertura da porta traseira do aparelho a 10.000 metros de altitude, informaram autoridades aeroportuárias nesta sexta-feira. Os sobreviventes seguraram-se no interior da aeronave, que transportava soldados, policiais e familiares, enquanto bagagens soltas batiam na cabeça e no corpo deles, causando ferimentos em alguns. Kikaya bin Karubi, porta-voz do governo congolês, disse que sete corpos foram encontrados "depois de terem sido ejetados do avião". O aparelho sobrevoava os arredores de Mbuji-Mayi. Segundo ele, helicópteros do Exército vasculham a região em busca de mais vítimas. Dois funcionários do Aeroporto Internacional de Kinshasa disseram à Associates Press acreditarem que o número de mortos chegue a 129. As fontes pediram que fossem mantidas no anonimato. Após o acidente, ocorrido com aproximadamente 45 minutos de vôo, os pilotos conseguiram manobrar a aeronave e retornar a Kinshasa, disse Irung Awan, ministro da Defesa do Congo. Ele confirmou que o acidente ocorreu na noite de quinta-feira, mas disse não estar informado sobre o número de mortes entre as cerca de 200 pessoas que estavam a bordo do Ilyushin 76. O interior de um avião é pressurizado, ou seja, é mantido com uma pressão atmosférica muito maior que a existente a grandes altitudes. Quando ocorre a abertura de uma porta ou janela, a pressão faz com que o ar interno do avião seja expelido com grande violência. Nove sobreviventes foram tratados por ferimentos leves e traumas psicológicos no Hospital Geral de Kinshasa e tiveram alta nesta sexta-feira, disse Kabamba Mbwebwe, médico encarregado do setor de emergência do hospital. "As vítimas estão traumatizadas e comentam que as bagagens iam de um lado para o outro", disse ele à Associated Press numa conversa por telefone. "A porta abriu e o avião foi despressurizado. Muitas pessoas foram sugadas para fora", prosseguiu Mbwebwe, citando relatos de sobreviventes. No entanto, ele ressaltou não ser possível dizer o número exato de vítimas. De acordo com os relatos feitos pelos sobreviventes e ouvidos pelo médico, os passageiros começaram a procurar as áreas mais internas do avião em busca de abrigo enquanto as malas sacudiam de uma lado para o outro. Alguns sofreram ferimentos na cabeça por causa da bagagem, afirmou. Na África, viagens aéreas muitas vezes ocorrem em aeronaves de carga adaptadas com poucos assentos, deixando a maior parte dos passageiros amontoada com suas bagagens no fundo do aparelho. O avião acidentado é um Ilyushin 76 - fabricado na extinta União Soviética - de propriedade particular e estava, segundo se informou, fazendo um vôo fretado para transportar policiais congoleses e suas famílias de Kinshasa para a cidade de Lubumbashi, um centro de mineração de diamantes no sudeste do país. Ainda não se sabe por que a porta abriu. Acredita-se que as condições climáticas no momento do vôo eram normais. Nesta sexta-feira, o avião estava na pista do aeroporto de Kinshasa sem a porta traseira. Em sua fuselagem havia a inscrição "Ukrainian Cargo Airlines".

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