Proteccion Civil Durango/via REUTERS
Proteccion Civil Durango/via REUTERS

Sobreviventes narram fuga após queda de avião no norte do México

Segundo passageiros, aeronave pegou fogo logo após atingir o solo; grupo escapou a pé por escorregadores de emergência

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 04h38

CIDADE DO MÉXICO - Horas após a queda do avião da Embraer com 103 passageiros a bordo no Aeroporto de Guadalupe Victoria, no norte do México, os sobreviventes relataram o que ocorreu no momento do acidente aéreo. Apesar da seriedade do caso, não houve mortes e nenhum ferido em estado crítico.

"Foi horrível, realmente horrível", disse Lorenzo Nunez, passageiro de Chicago, nos Estados Unidos. "Tudo queimou em questão de segundos", disse, relatando que conseguiu fugir com a mulher e os dois filhos que estavam no voo.

Os sobreviventes dizem que ouviram um forte estrondo quando a asa esquerda colidiu contra o solo, soltando os dois motores da aeronave. As chamas começaram logo após o avião atingir o solo. Os passageiros fugiram a pé por escorregadores de emergência.

"As chamas vieram depressa e havia muita fumaça", disse a sobrevivente Jacqueline Flores ao jornal local El Sol.

Romulo Campuzano, líder do Partido de Ação Nacional no Estado de Durango e um dos passageiros do voo, disse a jornalistas que as duas asas da aeronave estavam pegando fogo quando conseguiu deixar os destroços.

Pouso de emergência

O acidente ocorreu na tarde dessa terça-feira, 31, no Aeroporto de Guadalupe Victoria, no Estado de Durango, no norte do México. O voo AM 2431, da Aeroméxico, faria a rota Durango - Cidade do México, mas enfrentou dificuldades após tentar decolar em meio a uma tempestade de granizo. A aeronave tentou fazer um pouso de emergência fora da pista do terminal, momento em que ocorreu o acidente.

Após a queda, vários passageiros deixaram o entorno do avião antes da chegada dos primeiros socorros. Alguns buscaram ajuda médica sozinhos e outros voltaram para casa, o que dificultou a localização de cada um dos sobreviventes pelas autoridades. 

Jose Aispuro, governador do Estado de Durango, disse que ainda é cedo para especular o que levou à queda da aeronave. Ele afirmou que falha mecânica e erro humano não foram descartados, mas que o tempo na região não era favorável, visto que a chuva e ventos fortes prejudicaram a decolagem do avião.

"A coisa mais importante em um acidente sério destes é que não houve mortes e isso que é mais encorajador para nós", disse Aispuro a jornalistas.

O balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mexicano informa que 49 passageiros foram hospitalizados - a maioria com ferimentos leves. O piloto, cuja identidade não foi informada, sofreu uma lesão grave na coluna e passou por cirurgia. A maioria dos sobreviventes sofreu queimaduras em várias partes do corpo. Ninguém corre risco de morte.

O voo AM 2431 levava 103 pessoas a bordo - 88 adultos, nove crianças, dois bebês e quatro tripulantes. A Aeroméxico, responsável pelo voo, afirmou que a aeronave havia passado por manutenção em fevereiro deste ano e era usada pela companhia desde 2014. Segundo o site Planespotters.net, o avião havia sido produzido há dez anos pela Embraer.

Em comunicado à imprensa, a Embraer afirma que se colocou à disposição das autoridades aeronáuticas do México para auxiliar nas investigações do acidente. Uma equipe de técnicos se prepara para se deslocar ao local do acidente, segundo a fabricante. 

As operações no Aeroporto de Guadalupe Victoria foram suspensas após o acidente e ainda não tem previsão para serem retomadas. //ASSOCIATED PRESS

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