Sobreviventes relatam momentos de caos no naufrágio de cruzeiro na Itália

Navio começou a inclinar e pessoas foram jogadas cima dos outros, diz família

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2012 | 12h49

Atualizado às 15h16

 

"Vivemos momentos de caos total. Ninguém da tripulação sabia dizer o que devíamos fazer. O navio começou a inclinar e todo mundo foi jogado uns por cima dos outros. Muita gente ficou machucada", contou uma família italiana a bordo do "Costa Concordia" que na sexta-feira à noite encalhou em frente à ilha de Giglio.

Com mais de 4,2 mil pessoas a bordo, o acidente ocorreu em águas da ilha italiana de Giglio, no Mar Tirreno, na região central da Toscana, conforme a Capitania dos Portos de Giglio. Até agora há informação sobre três mortos e dezenas de feridos.

A embarcação que fazia um cruzeiro pelo Mediterrâneo saiu do porto de Civitavecchia (centro) com destino a Savona (norte) para iniciar a viagem com escalas em Palermo (Sicília), Cagliari (Sardenha), Palma de Mallorca (Espanha), Barcelona, Marselha (França) e retornar a Savona, detalhou a companhia responsável pela viagem.

Cerca de 2h depois de deixar Civitavecchia, por volta das 21h30 (18h30 de Brasília), quando a embarcação estava próximo da ilha de Giglio e os passageiros jantavam, sirenes soaram.

"Foi um pesadelo, parecia o Titanic, pensamos que era o fim, que íamos morrer", relataram os italianos Silvana Caddeo, Ignazio Deidda e Mirella Corda à imprensa local.

Eles contaram que a colisão ocorreu precisamente no horário do jantar. Com o impacto, garrafas e copos voaram das mesas.

Um passageiro argentino relatou os momentos de pânico à agência de notícias Ansa: "Foi terrível, parecia que eu estava no Titanic, vi gente desesperada em torno de mim, gritos, terror e incerteza sobre o que fazer", disse Stefano, de 21 anos.

 

Ele viajava com a mãe, dois irmãos e a namorada. "Não fomos ajudados adequadamente pela tripulação para abandonar a embarcação. Vi muita gente que teve que se 'virar' sozinha." Stefano foi um dos 250 passageiros que foram levados para o Hotel Hilton, próximo ao aeroporto de Fiumicino, sem dinheiro nem documentos, informa a Ansa.

 

Problema elétrico

Eram 21h40 (18h40 de Brasília) e imediatamente a partir dos alto-falantes da embarcação foi dado o aviso de que um problema elétrico havia acontecido e que não havia motivos para preocupação.

"Mas as pessoas gritavam e as crianças choravam, em meio à total escuridão", afirmaram os italianos sobreviventes.

Eles disseram que imediatamente perceberam que a situação era grave porque o navio começou a inclinar para um lado. Relataram que viram muitas pessoas lançarem-se às águas frias do Tirreno.

Passageiros queixaram-se da lentidão das equipes de socorro, alguns indicaram que levaram até 1h30 para deixar o navio. Membros da tripulação confessaram que o capitão da embarcação sabia da gravidade da situação "e não fez o que devia ser feito".

Yuri Selvaggi, sua esposa e filhos - uma família da localidade sulina italiana de Anagni - falou sobre os momentos de pânico vividos dentro e fora do navio a caminho da terra firme. Não fosse o susto dentro do navio, o bote salva-vidas que estavam bateu contra o cruzeiro, mas que por sorte não virou.

Na ilha de Giglio as autoridades convocaram a população para ajudar na acolhida aos passageiros do cruzeiro. Moradores abriram suas casas para receber os viajantes, assim como centros esportivos e a pequena igreja da localidade serviram de abrigo.

Centenas de habitantes que durante o inverno vivem na ilha ofereciam alimentos e deram o conforto às pessoas que chegavam à ilha.

Algumas lojas abriram durante a noite e a população cedeu cobertores e roupas para que não passassem frio.

Sobre os eventuais atrasos no salvamento, a Capitania dos Porto de Grosseto, à qual Giglio é ligada, anunciou a abertura de uma investigação. O capitão de corveta Emilio do Santo admitiu os atrasos.

A embarcação envolvida no acidente é o cruzeiro "Costa Concordia", a maior italiana de passageiros, pertencente à companhia "Costa Cruzeiros".

O navio encalhou por causas ainda desconhecidas e está escorado a 80 graus em uma região arenosa com profundidade de 30 metros.

(Efe e Ansa)

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