AP Photo/Andrew Medichini
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Sobreviventes relatam momentos de tensão durante terremoto na Itália

Moradores de cidades próximas ao epicentro do tremor foram acordados durante a madrugada desta quarta-feira pelo tremor; em alguns locais, moradores ficaram sem água, luz e gás em razão da destruição da infraestrutura

Suellen Amorim, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2016 | 16h46

RIO DE JANEIRO - O terremoto que atingiu a Itália na madrugada desta quarta-feira, 24, foi sentido a mais de 300 km de distância. Uma das cidades que sentiu o abalo foi Ortona, 100 km a sudeste do epicentro do tremor, de 6,2 graus de magnitude na escala Richter. O jornalista Carlo Cauti vive na cidade e falou ao Estado sobre o terremoto. Ele disse que os estragos podem levar décadas para serem reparados, já que as cidades atingidas eram históricas. "São construções medievais, algumas até romanas", disse.

"Fomos acordados pelo terremoto e corremos debaixo das portas, que é o lugar mais seguro. O tremor durou cerca de dois minutos. Eu moro no terceiro andar, então a vibração foi mais forte. A luz  chegou a faltar por alguns minutos, mas logo depois voltou", disse. De acordo com Cauti, algumas pessoas preferiram passar o resto da noite dentro dos carros, estacionados nas ruas, já que havia reverberações do tremor.

O jornalista diz ainda que o clima na cidade é de tristeza e dor, e que há o medo de que os locais atingidos, antes turísticos, se tornem cidades-fantasma. "Sofremos bastante com o terremoto de L'Aquila, em 2009, e sabemos que a reconstrução é algo extremamente complicado. Essas cidades são povoadas, na grande maioria, por idosos, e se os poucos jovens que ainda estão por lá forem embora, em breve virarão cidades-fantasma", opina.

Carlo Cauti conta que a tubulação de água nas cidades atingidas se rompeu e o fornecimento de gás foi interrompido, por precaução. O governo italiano agora pede que a população doe sangue para as vítimas e não tente viajar na região atingida, já que não se conhece o estado das estradas.

Em Alvito, vilarejo 120 km ao sul de Accumoli - cidade italiana onde o terremoto fez mais vítimas -, o escritor Vittorio Macioce estava acordado e lendo quando sentiu a terra tremer. Ele lamenta os estragos causados em cidades que reúnem muitos turistas durante o verão, mas que agora estão devastadas. "Amatrice é agora uma pilha de escombros", disse Macioce.

A cidade dele, Alvito, não sofreu danos físicos com o abalo, mas acordou em clima de medo e dor. "O maior temor é que pode haver outros choques fortes", disse. Macioce conta que a imprensa italiana mostra os mortos que foram resgatados dos escombros de construções. "A dor agora é pelos mortos".

O estudante de Relações Internacionais Filippo Galeazzi também sentiu os efeitos do terremoto. Morador de Pesaro, cidade 140 km ao norte do epicentro do terremoto, foi mais um italiano acordado pelo tremor. Na tarde dessa quarta-feira ele ainda tentava contato com uma amiga que mora a 50 km do local mais atingido pelo tremor. Ele viu pelo noticiário que a cidade dela, San Benedetto del Tronto - que fica a 60 km do local mais atingido, não foi atingida com gravidade, mas segue preocupado.

"Acordei às 3h30 da madrugada e saí com um amigo americano, que está hospedado na minha casa. Fomos olhando as paredes, e havia algumas rachaduras no centro histórico. A luz foi embora por algum tempo, mas logo voltou", disse Galeazzi. Em Pesaro o gás e a água não chegaram a ter o fornecimento cortado. Ele disse que, nesta tarde, o clima na cidade ainda é de medo, mas acredita que já não há perigo de novos abalos.

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