AP/Fernando Vergara,
AP/Fernando Vergara,

Sobrinho de líder das Farc denunciará narcos venezuelanos

Preso no dia 10, jovem vira peça-chave em processo de narcotráfico e ameaça denunciar contatos na Venezuela

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2018 | 22h13

BOGOTÁ - Durante mais de sete horas, Marlon Marín, sobrinho de Iván Márquez, dirigente das Farc, contou a agentes da DEA (agência antidrogas americana) como funciona o esquema entre o cartel mexicano de Sinaloa e Jesús Santrich, ex-líder guerrilheiro preso na semana passada por tentar enviar dez toneladas de cocaína para os Estados Unidos. 

Marín está nos EUA. Ele era totalmente desconhecido até a semana passada, quando foi detido na mesma operação que capturou Santrich. Ontem, em depoimento, ele garantiu que pode revelar detalhes de como funciona a participação da Venezuela na movimentação da cocaína para os EUA. 

De acordo com Marín, as dez toneladas que seriam enviadas aos EUA eram apenas a cota inicial de outros carregamentos que inundariam o mercado americano. A disposição de Marín em cooperar surpreendeu os agentes da DEA, mas a intenção de dar os nomes dos contatos dos principais líderes do narcotráfico venezuelano foi o que motivou o pedido de autorização a Washington para fechar um acordo de delação com o sobrinho de Iván Marquez. 

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Ao transformar Marín em peça-chave do caso, os investigadores americanos conseguiram, de uma só vez, que um parente próximo de um líder das Farc testemunhe contra Santrich, contra os principais líderes do cartel de Sinaloa, como Rafael Caro Quintero, e revele os nomes dos maiores narcotraficantes venezuelanos. 

Santrich reconheceu ter tido contato com Quintero e com membros do cartel de Sinaloa, mas garantiu que tratou apenas de “projetos agrícolas” para regiões afetadas pelo conflito na Colômbia. O líder das Farc (que agora são um partido político) presenteou o narcotraficante mexicano com uma pintura, da própria autoria, datada de novembro de 2017 – o acordo de paz entrou em vigor um ano antes. 

“Já entreguei quadros e livros a dezenas de pessoas”, disse Santrich em entrevista a uma rádio colombiana. “É possível que tenha dado um para o Rafael (Caro Quintero), mas achei que fosse um empresário que investiria em um projeto agrícola.”

Despedida. Santrich disse ainda que sua relação com Marín era “estritamente de trabalho”. “Ele me apresentava projetos em áreas rurais. Eu confiava nele, mas não posso responder pelos seus atos.”

Detido desde o dia 10 em Bogotá, Santrich está em greve de fome, enquanto aguarda o pedido dos EUA para que seja extraditado. Em mensagem de áudio, divulgada nesta quarta-feira pela imprensa colombiana, ele se despediu da família. “Peço a vocês força, orgulho, apoio e determinação. Quero que saibam que parto entre rosas vermelhas, amarelas e azuis (cores da bandeira colombiana).” / EFE, REUTERS e AP

 

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