AFP PHOTO / DPA / Gregor Fischer
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Social-democratas dizem ter avançado 95% em conversas de coalizão com Merkel

Expectativa é que negociação seja concluída nesta terça-feira, apesar de partidos continuarem divididos em questões-chave; chanceler disse que aceita assumir 'doloroso compromisso' para viabilizar governo

O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 09h46

BERLIM - Os conservadores da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, avançaram 95% nas conversas para fechar um acordo de coalizão, disse um negociador do SPD nesta terça-feira, 6, acrescentando, entretanto, que o acordo não será uma “obra prima”.

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Negociadores de ambos os lados concordaram na noite de segunda-feira que era necessário mais tempo para renovar a chamada “grande coalizão” que governa o país desde 2013, e decidiram retomar as negociações - inicialmente esperadas para acabar no domingo - na sede do partido de Merkel em Berlim nesta terça.

“Acho que temos 90% a 95%, mas os 5% restantes ainda são importantes”, disse Carsten Schneider, negociador social-democrata, acrescentado que espera que um acordo seja fechado sem a necessidade de as conversas avançarem noite adentro. “Não será uma obra prima, mas irá funcionar para os próximos 3 anos e meio”, acrescentou.

Também nesta terça, Merkel afirmou que aceita assumir um "doloroso compromisso" para viabilizar a coalizão de governo. "Estou disposta se, ao final, pudermos garantir que as vantagens sejam superiores ao inconvenientes", disse a chanceler, completando que estava em jogo o "interesse maior do país"

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"Acredito que hoje tudo será decidido e saberemos se as duas partes conseguem chegar a um acordo", disse o presidente do SPD, Martin Schulz.

Tropeços

As eleições legislativas de setembro, marcadas pela queda dos partidos tradicionais e o avanço da extrema direita, não permitiram a formação de uma maioria clara na Câmara dos Deputados.

Merkel tentou inicialmente alcançar um acordo de governo com os liberais e os ecologistas, mas fracassou. Para se manter à frente do país por um quarto mandato e evitar eleições antecipadas, optou por negociar com os social-democratas.

Depois de meses de impasse, os dois partidos alcançaram na segunda-feira acordo sobre a questão europeia. Para Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, a decisão significa o fim da ortodoxia fiscal na União Europeia.

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No entanto, outros dois temas importantes para o SPD continuam em discussão: a reforma do sistema de saúde estatal e a regulamentação dos contratos temporários de trabalho. / REUTERS e AFP

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