Socialista francês corteja eleitorado de centro

Hollande adota bandeiras de candidato centrista, como o veto ao acúmulo de cargos públicos, para consolidar favoritismo sobre Sarkozy no 2º turno

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h02

Favorito nas pesquisas de opinião, o candidato do Partido Socialista (PS) à presidência da França, François Hollande, lançou ontem uma tentativa de aproximação com seu ex-adversário de centro, François Bayrou. O sinal foi dado com a proposta de criação de uma lei proibindo o acúmulo de mandatos públicos, uma das bandeiras do Movimento Democrático (MoDem). O partido cortejado teve 9,13% dos votos - ou 3,2 milhões de eleitores - no primeiro turno.

O objetivo de Hollande é consolidar sua liderança. Uma nova sondagem indicou que ele tem uma vantagem de 10 pontos porcentuais sobre o atual presidente, Nicolas Sarkozy.

A tentativa de aproximação do socialista ocorreu um dia após Bayrou criticar a radicalização do discurso do presidente, que investe sobre o eleitorado da candidata de extrema direita, Marine Le Pen, em busca dos 6,4 milhões de votos obtidos pela Frente Nacional (FN).

Ontem, o centrista voltou à carga. Em uma carta aos dois candidatos, Bayrou reiterou suas bandeiras, como a luta contra o déficit fiscal, o compromisso com a União Europeia, a unidade nacional e a moralização da vida pública. "A atitude pessoal dos governantes conta muito. É uma questão de valores pessoais, tanto quanto políticos", escreveu.

A declaração foi interpretada pela imprensa francesa como um recado indireto a Sarkozy, que vem elogiando as teses da extrema direita na campanha para o segundo turno. Horas após receber a carta, Hollande respondeu em público elogiando o compromisso de Bayrou com princípios de proteção social, acesso universal à saúde e o direito à aposentadoria. Afirmou ainda que os dois partidos, o PS e o MoDem, estão de acordo sobre a reforma da educação e o rigor fiscal. Hollande ainda adotou uma proposta do centrista, propondo uma lei sobre a moralização da vida política.

A limitação do acúmulo de cargos públicos, a independência da Justiça, o comportamento exemplar do Estado e a paridade entre homens e mulheres, segundo o socialista, serão incluídos no programa de um eventual governo do PS.

Bayrou prometeu se pronunciar até o dia 4 sobre se apoiará ou não um dos rivais do segundo turno. No dia 1.º, Marine Le Pen deve fazer o mesmo. Sua decisão, entretanto, não é segredo: ela não deve apoiar nenhum dos candidatos.

Apesar de sua guinada à direita, Sarkozy obteve o "voto" da revista britânica The Economist, que em manchete de capa classificou o socialista como um "perigo potencial" para a Europa.

A nove dias da eleição, Hollande é o favorito com 55% das intenções de voto. Sarkozy tem 45%, segundo pesquisa do instituto TNS Sofres. O dado surpreendente é que 33% dos eleitores de Le Pen pretendem se abster em 6 de maio.

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