Patrick Kovarik/AFP
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Socialista François Hollande é o novo presidente da França

Pesquisas de boca de urna indicam que o deputado e ex-secretário-geral do PS assumirá o Palácio do Eliseu, em substituição a Nicolas Sarkozy; esquerda volta ao poder depois de 17 anos

Andrei Netto, correspondente,

06 Maio 2012 | 15h28

PARIS - François Hollande, candidato do Partido Socialista (PS), foi indicado pelas pesquisas de boca de urna como o novo presidente da França. De acordo com as primeiras estimativas, divulgadas pelos maiores institutos de pesquisa do país, ele deve alcançar cerca de 53% dos votos, contra 47% do atual presidente, Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição pela União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita.

 

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A vitória, que deve se confirmar nas próximas horas com a apuração oficial coordenada pelo Ministério do Interior, oficializa o retorno de um socialista ao Palácio do Eliseu depois de 17 anos do fim do governo de François Mitterrand. Já Sarkozy deve tornar-se o primeiro chefe de Estado em três décadas a não obter a reeleição, a exemplo do que aconteceu em 1981 com Valéry Giscard D'Estaing, derrotado pelo socialista François Mitterrand.

 

Atual deputado, François Gérard Georges Hollande, 57 anos, foi secretário-geral do Partido Socialista (PS) por mais de uma década, entre 1997 e 2008. Militante do partido desde 1979, deixou o comando sob críticas. À época, seu partido ainda sofria de divisões internas provocadas pela derrota história de 2002, quando Lionel Jospin ficou fora do segundo turno, perdendo espaço para o candidato extremista Jean-Marie Le Pen.

 

Um ano e meio atrás, Hollande era dado como enterrado no partido. Saiu de cena, emagreceu, reconstruiu sua vida privada - depois de se separar da ex-candidata à presidência Ségolène Royal - e se preparou física e intelectualmente com o auxílio de especialistas para retornar à vida pública.

 

Hollande lançou sua pré-candidatura à presidência pelo PS em 2011, decidido a enfrentar o então favorito do partido, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, preso em maio em um escândalo sexual. Desde então, assumiu ele o favoritismo frente a Sarkozy, sempre se valendo o exemplo de Mitterrand, que usou em discursos e gestos ao longo da campanha de 2012. Tido como "mole" por seus críticos, peitou o presidente no último instante da campanha, o debate de quarta-feira, garantindo o favoritismo.

 

Neste domingo, 6 de maio, torna-se o nono presidente eleito com o voto direto na França desde a instauração da Quinta República, em 1958.  

 

 

 

 

 

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