Socialista lança candidatura à presidência da França

A líder do Partido Socialista, Martine Aubry, uma das principais responsáveis pela implementação da jornada de trabalho de 35 horas semanais na França, afirmou hoje que ela é a melhor opção para derrotar o presidente Nicolas Sarkozy nas eleições do próximo ano.

AE, Agência Estado

28 de junho de 2011 | 11h53

Aubry lança sua candidatura seis semanas após a prisão de Dominique Strauss-Kahn, que deixou o principal partido oposicionista do país europeu sem um candidato claro para a corrida presidencial. Ela junta-se a outros nomes que já se lançaram, entre eles o primeiro-secretário do partido, François Hollande, e Ségolène Royal, que perdeu para Sarkozy em 2007. Há o temor de cisões internas no partido, que não vence uma eleição presidencial desde 1988.

"Hoje, eu assumo diante de vocês o compromisso para a vitória em 2012", afirmou Aubry em anúncio feito na televisão. "Eu quero dar novamente à França sua força, sua serenidade, sua unidade." Ela começa a disputa como favorita, ao lado de Hollande. Pesquisas sugerem que qualquer um dos dois seria capaz de bater Sarkozy. Uma pesquisa Ipsos publicada no dia 23 mostra Hollande com 32% e Aubry com 30% em uma eventual disputa com Sarkozy, que nas duas simulações manteve apenas 19% das intenções de voto.

"A candidatura dela era muito esperada, após ficar claro que Strauss-Kahn não iria concorrer", disse Emiliano Grossman, professor da Universidade Sciences Po, em Paris. "O maior risco que eu vejo agora para o Partido Socialista é a luta interna."

Ocorreram rachas duros na sigla no passado, porém agora o partido afirma querer superá-los e apontar um candidato único. "Nós estamos confiantes de que o vencedor das primárias terá uma vantagem substancial sobre os outros candidatos, e assim ficará mais fácil para ele ou ela unir o partido", comentou Benoit Hamon, porta-voz do partido e aliado de Aubry. Hamon elogiou o fato de a atual presidente da sigla ter conseguido unificá-la novamente, após a derrota para Sarkozy em 2007.

Aubry representa a ala mais à esquerda no partido. Ela teve papel fundamental para aprovar a jornada de 35 horas no país, lançada pelo presidente socialista François Mitterrand em sua campanha eleitoral de 1981 e alvo de debate durante mais de uma década. Com Sarkozy, a norma sofreu modificações que tiraram muito de sua substância.

A líder socialista foi ministra do Emprego e também do Bem-Estar Social, quando trabalhou também pela cobertura universal no sistema de saúde. Pelo programa aprovado por ela, é possível que todos os residentes legais no país há mais de três meses tenham gastos com saúde reembolsados. Atualmente, Aubry está em seu segundo casamento e é prefeita da cidade de Lille, no norte francês, e também já trabalhou no setor privado.

Antes de sua prisão, em 14 de maio em Nova York, sob a acusação de abusar sexualmente de uma funcionária de um hotel, Strauss-Kahn era visto como o favorito para as prévias socialistas. A eleição presidencial na França ocorre em maio de 2012. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.