Socialistas argentinos vencem eleição em Santa Fé

O Partido Socialista da Argentina manteve o governo da província de Santa Fé nas eleições de domingo, confirmaram dados oficiais postados na página do governo estadual, significando outra derrota à coalizão de governo da presidente Cristina Kirchner antes das eleições gerais de outubro. A província de Santa Fé é uma importante produtora e exportadora de grãos e produtos agrícolas. Os portos e as fábricas de esmagamento de grãos ao redor das cidades de Rosário e San Lorenzo, no rio Paraná, embarcam grãos e óleos processados para os mercados globais.

AE, Agência Estado

25 de julho de 2011 | 12h22

O candidato socialista Antonio Bonfatti obteve 38,7% dos votos, de acordo com os resultados. "Vamos continuar a transformar Santa Fé, priorizando as coisas que nos unem e deixando de lado as diferenças", disse Bonfatti no discurso de vitória.

Miguel Del Sel, da Proposta Republicana, de centro-direita, ficou em segundo lugar com 35,2% dos votos, um resultado surpreendente uma vez que esse partido possui pouca presença fora da capital federal argentina.

Agustín Rossi, congressista da câmara baixa e candidato da Frente para a Vitória, recebeu 22,2% dos votos. A Frente era apoiada por Cristina e inclui o Partido Justicialista (peronista). A visita de Cristina à província na semana passada fracassou em ajudar Rossi a obter até o segundo lugar. Os candidatos da Frente obtiveram uma resultado melhor no Congresso da província, onde o grupo permaneceu como o principal bloco político.

Quase metade das 23 províncias argentinas e a capital Buenos Aires terão eleições antes do sufrágio para o Congresso nacional e a presidência em 23 de outubro. Até agora, a Frente para a Vitória venceu ou manteve o governo de cinco das oito províncias que tiveram eleições locais.

Analistas políticos não esperam que a derrota da Frente na província de Santa Fé e no primeiro turno das eleições municipais de Buenos Aires, há duas semanas, prejudiquem seriamente as chances de Cristina Kirchner se reeleger em outubro. Ela faz campanha a partir de uma posição de força, graças a anos de crescimento econômico, baixo desemprego e uma oposição dividida que não foi capaz de lançar candidatos competitivos.

O congressista Raúl Alfonsín, do principal partido da oposição, a União Cívica Radical (UCR), emergiu como o principal adversário de Cristina, embora apareça nas pesquisas de intenção de voto em um distante segundo lugar.

O atual e popular governador de Santa Fé, Hermes Binner, concorre à presidência pela chapa socialista. Contudo, pesquisas mostram que sua campanha praticamente não decolou.

Cristina Kirchner e a Frente, no entanto, podem esperar mais más notícias nas próximas semanas. Buenos Aires terá o segundo turno nas eleições para prefeito em 31 de julho e o atual prefeito, Mauricio Macri, da Proposta Republicana, poderá vencer com 60% dos votos, de acordo com pesquisa do Instituto Poliarquia.

Os moradores da província de Córdoba, um importante centro industrial, terão eleições locais em 7 de agosto e a Frente não está entre os principais candidatos a governador.

"A recente demonstração de força pelos candidatos da oposição em alguns dos maiores distritos eleitorais indica que uma vitória de Cristina no primeiro turno das eleições presidenciais de outubro pode não vir tão fácil como alguns previram", disse o economista Alberto Ramos, do banco Goldman Sachs.

As informações são da Dow Jones.

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