Reuters
Reuters

Socialistas dizem não à reeleição de Rajoy e prolongam impasse político na Espanha

A recusa dos socialistas em endossar seu rival de longa data aumenta as chances de uma terceira eleição em um ano

O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2016 | 16h40

MADRI - O líder socialista da Espanha disse nesta segunda-feira, 29, que seu partido não apoiará a reeleição do primeiro-ministro espanhol interino, Mariano Rajoy, e encerrar um impasse político de oito meses, depois de se reunir com ele pela última vez antes de uma moção de confiança no Parlamento a ser votada na quarta-feira.

O líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, tem a chave para acabar com o impasse, já que Rajoy está muito próximo da maioria que precisa para formar um governo e já não tem mais aliados. A recusa dos socialistas em endossar seu rival de longa data aumenta as chances de uma terceira eleição em um ano.

O centro-direitista Partido Popular (PP) de Rajoy está a 6 cadeiras de conseguir a maioria absoluta de 176 assentos de que necessita para a moção, mesmo com o apoio do partido liberal Ciudadanos, que foi acertado no domingo, e uma cadeira adicional de um partido menor das Ilhas Canárias.     

Uma abstenção do PSOE bastaria para permitir um governo de minoria liderado pelo PP e comandado por Rajoy, que conquistou a maioria dos votos em dezembro e junho, mas ficou aquém da maioria parlamentar nas duas votações.

Sánchez diz, porém, que ao invés disso Rajoy deveria obter o apoio de várias legendas regionais menores que lhe garantiriam uma maioria.

"Foi uma reunião desnecessária", afirmou ele aos repórteres nesta segunda-feira. "É responsabilidade do senhor Rajoy chegar aos 176 votos, exclusivamente do senhor Rajoy, e não dos socialistas".

Se Rajoy perder a votação de quarta-feira, uma segunda votação ocorrerá na sexta-feira, na qual uma maioria simples – na qual só precisaria ter mais votos favoráveis do que contrários – seria suficiente para lhe permitir formar um gabinete.

Uma derrota na segunda votação, também provável sem o apoio do PSOE, abriria uma janela de dois meses para a formação de um governo, ao fim da qual outra eleição seria convocada, possivelmente no dia de Natal.

A pressão tem crescido para que Sánchez ceda às demandas do PP e do Ciudadanos, assim como da opinião pública. Pesquisas mostram que a maioria dos espanhóis preferiria que os socialistas deixassem Rajoy montar um governo do que enfrentar novas eleições.

O jornal El País, o mais vendido da Espanha, disse em um editorial na segunda-feira que os socialistas, que o jornal tradicionalmente tem apoiado, devem abandonar sua "obstinação absurda" em se opor ao PP. / REUTERS 

 

Mais conteúdo sobre:
EspanhaMariano Rajoy

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.