Socialistas dominam Parlamento francês

Partido do presidente François Hollande poderá fazer reformas sem depender da extrema esquerda; Marine Le Pen, da ultradireita, é derrotada

LÚCIA MÜZELL, ESPECIAL PARA O ESTADO / PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h00

O Partido Socialista francês conquistou ontem a maioria absoluta da Assembleia Nacional no segundo turno das eleições legislativas. O resultado deixa o recém eleito presidente François Hollande confortável para implantar suas promessas de campanha sem precisar recorrer à alianças com a extrema esquerda.

Os resultados definitivos serão conhecidos hoje, mas as estimativas dos institutos de pesquisa apontavam que o PS e seus aliados obtiveram de 310 a 322 cadeiras, de um total de 577. A maioria absoluta dependia da conquista de 289 deputados.

A votação é a melhor para os socialistas desde 1981, ano histórico para a esquerda francesa, o da eleição de François Mitterrand.

Depois do retorno triunfal à presidência após 17 anos, agora os socialistas são protagonistas em todas as instâncias do poder na França: além do Palácio do Eliseu e da Assembleia, também são majoritários no Senado, nas prefeituras e nos governos das regiões.

Com a vantagem, Hollande não precisará do apoio dos Verdes nem da Frente de Esquerda (extrema esquerda) para aprovar os projetos que pretende começar a enviar ao Parlamento a partir de julho, entre eles uma reforma tributária que vai aumentar os impostos para os ricos. "O trabalho que está diante de nós é imenso. Nada será fácil", ponderou a primeira-secretária do partido, Martine Aubry.

No outro lado da Assembleia, o principal partido de direita, o UMP (União por um Movimento Democrático) vira oposição e amarga o fracasso de eleger apenas de 213 a 221 deputados, cerca de 100 a menos do que tinha até ontem. O ex-primeiro ministro conservador François Fillon admitiu a "derrota severa" nas urnas, traduzida pelos maus resultados de vários ex-ministros do ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado em maio por Hollande. O polêmico Claude Guéant, que comandava a pasta do Interior, responsável pelas questões de imigração, é um deles.

Queda de Le Pen. Uma derrota inesperada também veio da extrema direita, que apesar de retornar ao Parlamento após 14 anos de ausência, não conseguiu a vitória da sua representante mais carismática, Marine Le Pen. Ela concorria contra o socialista Philippe Kemel, em Hénin-Beaumont, no norte do país, e perdeu por uma diferença de apenas 114 votos. Ela chegou a pedir recontagem, mas admitiu a derrota.

Ainda assim, o Frente Nacional obteve a façanha de eleger a jovem Marion Maréchal-Le Pen. Sobrinha de Marine e neta de Jean-Marie Le Pen, Marion tem apenas 22 anos e será a mais jovem parlamentar no Palácio Bourbon. Além dela, também o advogado Gilbert Collard conseguiu a sua cadeira de deputado pelo partido extremista.

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